O Ministério Público do Trabalho (MPT) denunciou um fazendeiro e seu filho pelo crime de redução de trabalhadores a condições análogas à escravidão em Unaí, no Noroeste de Minas Gerais. Além deles, outros dois funcionários também foram denunciados como intermediários já que eles realizavam a contratação de mão-de-obra destinada aos serviços de carvoaria nas fazendas Bocaina e Camisa.
 
Durante fiscalização, o MPT encontrou quatro pessoas submetidas a condições degradantes de trabalho, sem registro em carteira e com a liberdade cerceada em virtude de dívidas contraídas com o empregadores. Os débitos eram anotados em cadernos, aos quais os trabalhadores não tinham acesso. Eles atuavam no corte da lenha e transporte até a queima e produção do carvão vegetal e, até as próprias ferramentas utilizadas para o serviço, eram adquiridas pelas vítimas com a quantia que recebiam como pagamento. "Uma das vítimas, por exemplo, teve de adquirir a própria motosserra de que necessitava para o corte da lenha", informou o MPT.
 
Ainda conforme o órgão, tanto a frente de trabalho quanto os barracos não dispunham de instalações sanitárias e os trabalhadores tinham que fazer suas necessidades fisiológicas ao ar livre, sem qualquer conforto, privacidade e higiene, e sujeitos, a acidentes com animais peçonhentos. O local de preparo dos alimentos também ficava ao ar livre e as refeições eram feitas no chão ou em cima de pedaços de madeira, com as vasilhas nas mãos. Além disso, não havia água potável em quantidade suficiente e a mesma água usada para o consumo, que ficava armazenada em tambores, era utilizada para o banho, lavar as roupas e cozinhar.
 
Já em relação aos alojamentos, o MPT constatou que eles ficavam próximos aos fornos de carvão, não tinham portas ou janelas capazes de oferecer boas condições de vedação. Os barracos eram bastante precários, de lona plástica, com telha “brasilit” e chão de terra batida e não havia eletricidade. As camas haviam sido improvisadas pelos próprios trabalhadores, com madeiras retiradas do local. 
 
Se condenados, os fazendeiros e os intermediários poderão pegar entre dois e outo anos de prisão.