Um vídeo feito na madrugada desta sábado (8) por um morador do bairro Ribeiro de Abreu, na região Norte de Belo Horizonte, se espalhou rapidamente pelas redes sociais e vem causando ainda mais pânico entre a população da região. Nas imagens é possível ver várias capivaras em uma avenida, próximo de casas. O roedor é o único hospedeiro responsável por transmitir a bactéria Rivkettsia rickettssique, que causa a febre maculosa. O bairro tem dois casos suspeitos da doença, sendo que em toda a capital mineira são investigados 31 registros. 

Um morador que não quis ser identificado conta que o vídeo foi feito na avenida Serra do Navio, que é uma das entradas do bairro. "Ela margeia o córrego do Onça. As capivaras saem do rio e começam a invadir a rua, já na área urbana. Do outro lado da avenida estão as casas, então todos estão preocupados com a febre maculosa", pontua. 

Ainda segundo ele, os animais estão há anos nessa região, sendo que nunca houve um trabalho de manejo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) como o que é feito na região da Pampulha, com implantação de chips nos animais, banhos de carrapaticida e castração. "São pelo menos três grupos de capivaras, cada um com cerca de 20 animais. Elas andam soltas e não tem nenhum cuidado com relação a elas", acrescenta o morador. 

A assistente financeira Luciana Maria, que mora no Ribeiro de Abreu há 37 anos, também confirma que agentes do município nunca fizeram trabalhos com os animais da região. "Lá é um local que dá em uma rua onde as pessoas usam para fazer caminhada, fica cheio de crianças andando de bicicleta. Está muito perigoso e ninguém toma uma providência", reclama. 

capivaras ribeiro de abreu
Foto mostra um dos grupos de capivaras que vivem na região

Quem já foi picado aguarda com ansiedade pelo resultado de exames. É o caso do aposentado Geraldo dos Reis, de 76 anos. Na semana passada, ele retirou dois carrapatos da barriga. Desde então, teve febre alta, dores nas pernas, náuseas e perda de apetite, principais sintomas da febre maculosa. “Estou com medo. Agora não adianta mais lamentar. É só torcer para que não seja nada. Já estava com dengue e esse bicho me derrubou”, conta o idoso, que já iniciou o tratamento à base de antibiótico.

O mesmo drama é vivido por uma mulher de 61 anos que pediu para não ser identificada. Também na semana passada, ela encontrou um carrapato na perna e começou a apresentar os sintomas da enfermidade. “Rezo para que não seja nada. A gente está mais velho e fica com medo de doenças assim”, lamentou. “Aqui está cheio de capivara, cavalo”.

Mais comum entre junho e novembro, quando a população de carrapato-estrela aumenta devido ao ciclo de vida da espécie, a febre maculosa tem sintomas semelhantes aos da dengue. Por isso, a atenção deve ser redobrada, diz a vice-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Virgínia Antunes.

Segundo ela, pessoas que têm contato com áreas perto de matas ou lagoas e no meio rural devem reforçar os cuidados. “Usar roupas longas, botas, meia por cima da calça. É preciso ficar atento aos locais onde os animais frequentam, especialmente em época de frio, porque os carrapatos podem ficar, inclusive, no meio das plantas”, alerta.

Não há manejo pois ainda não tivemos infestação de carrapato, diz prefeitura

Procurada pela reportagem do Hoje em Dia, a assessoria de imprensa da PBH informou que nunca foram feitos trabalhos relacionados às capivaras do bairro Ribeiro de Abreu por não se tratar de uma área infestada pelos carrapatos, como acontece na Pampulha. Os trabalhos de manejo só ocorrem quando trata-se de uma área endêmica. 

Entretanto, caso seja confirmado algum caso de febre maculosa no bairro, o município passará a investigar se há infestação do inseto e, a partir daí, adotar as mesmas medidas que foram implantadas na Pampulha.

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