Expositores da Feira das Flores, tradicionalmente realizadas as sexta-feiras, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte, podem voltar para à avenida Bernardo Monteiro, abaixo das árvores Fícus tombadas. A mudança será analisada por uma comissão a ser formada entre os feirantes e representantes da Prefeitura, o Movimento Fica Fícus, empresários instalados no entorno, Ministério Público e Câmara Municipal.
 
A possibilidade da mudança foi anunciada nesta terça-feira (9), pela a gerente de Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), Márcia Mourão, em uma audiência pública na Câmara Municipal de BH, sobre os feirantes.
 
Segundo Márcia Mourão, a Prefeitura propôs a formação de um grupo, composto por representantes do Movimento Fica Fícus, feirantes, empresários instalados no entorno, Ministério Público e Câmara Municipal, para discutir a questão. 
 
Serão debatidas as diretrizes que conduzirão a elaboração de um projeto de revitalização da área, envolvendo a garantia de retorno da feira e das árvores frondosas ao local. Posteriormente, essas propostas serão levadas ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural para elaboração, aprovação e implantação do projeto.
 
A feira está instalada na avenida Carandaí, ao lado do Colégio Arnaldo, desde março de 2013. A mudança foi em função do risco de queda dos galhos dos Fícus doentes pela contaminação da praga conhecida como Mosca Branca. Segundo os feirantes durante a audiência pública, houve queda nas vendas após a mudança de endereço. 
 
“Não estamos satisfeitos com esse espaço, pois não estamos vendendo. Tínhamos um espaço construído com muita luta, há doze anos. Fizemos nosso público adequando nossa mercadoria a ele, o que, hoje, não ocorre mais”, relatou a feirante Rosemary Baeta, destacando que o local é sujo e possui bueiros abertos. 
 
Oos feirantes querem retornar à Avenida Bernardo Monteiro ou ir para um lugar mais próximo, a fim de que possam recuperar sua clientela. Os feirantes também questionaram o impedimento de sua permanência no local de origem, uma vez que a avenida não foi isolada e as pessoas continuam transitando ali.
 
Segurança
 
Secretária adjunta da Regional Centro-Sul, Nilda Maria Xavier reafirmou que os expositores foram retirados do local em função da falta de segurança, devido ao problema da mosca branca. Ressaltando que, à época, foi feita uma discussão com representantes de todos os segmentos dos expositores para que mudassem de local, a secretária informou que está sendo discutida a revitalização da região. “Assim que se chegue a um consenso, será elaborado um projeto e, quando o projeto for implantado, os feirantes voltarão a ocupar a Avenida Bernardo Monteiro”, garantiu.
 
Para o vereador Gilson Reis, a Prefeitura demonstrou pouca sensibilidade quanto ao Espaço da Cidadania, que já ganhou prêmios nacionais, sendo referência, inclusive, no Fórum Social Mundial. “O Espaço da Cidadania não tem tido a atenção de governos anteriores”, avaliou Reis, que considera ruim a realocação da feira, lembrando a existência de estruturas carcomidas, como buracos e falta de segurança. Reis salientou, ainda, que continuará lutando pelo retorno da feira ao local de origem, junto aos expositores.