Afta ou um simples machucadinho? Cuidado! Uma ferida na boca que não melhora pode indicar uma doença bem mais perigosa e fatal: o câncer. Porém, muitas pessoas não dão a devida importância e acabam descobrindo a enfermidade já em estágio avançado. Mais comum em homens, adolescentes também estão propensos à doença. Isso, segundo especialistas, por causa da infecção pelo papilomavírus humano (HPV), que tem sido responsável por grande parte dos casos nos últimos anos.

O câncer de boca é o sexto mais prevalente no mundo e, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), só neste ano devem ser registrados 16 mil novos casos no país;  em Minas Gerais a doença poderá atingir 1.600 pessoas

Os hábitos da população também têm papel importante no aparecimento do câncer de boca. Tabagismo, álcool e exposição solar são os principais fatores de risco. A doença se manifesta nos lábios, bochechas, língua, glândulas salivares e até na garganta. 

O diagnóstico tardio é a principal causa de mortes por câncer de boca. Segundo Alexandre de Andrade, cirurgião e professor-adjunto da Faculdade de Medicina da UFMG, as pessoas confundem as feridas com aftas e acabam não procurando um médico. “Isso acontece porque nem sempre o câncer de boca dói. O incômodo pode causar de sangramento à amolecimento dos dentes e dificuldade para engolir e respirar”, explica.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda bastante atenção às feridas que não se curam em até 15 dias. Os profissionais de saúde também devem estar preparados para identificar lesões que podem virar câncer. 

“O protocolo é encaminhar o paciente ao dentista, que poderá fazer uma melhor distinção entre uma afta e uma ferida que não cicatriza facilmente. Depois, encaminhá-lo para a retirada cirúrgica do câncer”, explica a dentista e coordenadora de Saúde Bucal da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Ana Pitchon. Em estágios avançados, entretanto, o tratamento é considerado mais agressivo, sendo necessárias sessões de quimioterapia e radiologia.

Alexandre de Andrade também orienta atenção redobrada após o período de eliminação do tumor, que pode espalhar pelos órgãos do sistema respiratório, como laringe e faringe. “A chance de reincidência em outras áreas varia de 25% a 40%”, alerta.

Conscientização

Ações para conscientizar a população sobre os riscos do câncer de boca são realizadas durante todo o ano, afirma Ana Pitchon. Além disso, considerados grupo de risco, os idosos são avaliados por dentistas em épocas de campanhas de vacinação. 

Com o crescimento dos casos de câncer de boca relacionados ao HPV, os médicos pedem cuidado. “A recomendação principal para afastar esse perigo é o uso de preservativos, mas também é importante tomar a vacina, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, observa Ana Pitchon.

Com Mariana Durães