Nesta terça-feira (23) o maior sonho de Gabriel Lucas Alves do Nascimento, de 15 anos, poderia se tornar realidade. Ele faria um teste para o time profissional AMDH, de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas acabou tendo o futuro como jogador de futebol interrompido quando foi atingido por uma linha chilena, que causou cortes profundos em sua perna.

Segundo o boletim médico divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Hospital Regional da cidade, o estado dele é estável, mas uma terceira cirurgia vascular é avaliada e "a possibilidade de amputação não foi descartada pela equipe médica". 

Ainda conforme a unidade de saúde, Gabriel deu entrada por volta das 14h de sábado (20) com uma grave lesão na perna esquerda causada pela linha chilena. "No sábado, ele passou por uma cirurgia de revascularização e, no domingo (21), realizou o procedimento de fasciotomia. O jovem teve lesões dos vernos, artérias e veias da perna esquerda. Está no CTI, consciente, orientado, o quadro de saúde requer cuidados. O jovem está recebendo toda a assistência necessária da equipe médica e de enfermagem do hospital", completou o Hospital Regional de Betim. 

O Hoje em Dia conversou com a tia do adolescente Rosimeire Alves Rosa, de 43 anos, que contou que ele já chegou a jogar pelo AMDH, no ano passado, tendo inclusive disputado a Copa Dadazinho pelo clube. "Mas, depois disso ele foi jogar no São Cristóvão, que é um time amador, que é onde ele estava atualmente. Por isso, ia fazer esse teste para ir para o futebol profissional, que era o sonho dele", lembra. 

Ainda segundo ela, Gabriel está consciente, mas está muito ansioso por não sentir a perna ferida. "Ele só fica falando com a mãe dele, perguntando se vai poder jogar bola de novo. Um menino de ouro, tinha saído do treino de futebol e ia ajudar o pai no comércio da família. Além de tudo, era trabalhador. As pessoas precisam saber que essas linhas chilenas podem destruir o sonho das pessoas, ou até matar. Isso é uma coisa que precisa acabar", pediu, emocionada, a tia. 

Encontro emocionante

Na tarde desta quarta, a família do adolescente teve a oportunidade de conhecer os dois motoboys e a enfermeira que foram os primeiros a socorrê-lo. "Os médicos falaram que se não fosse por eles, o Gabriel tinha morrido. Eles conseguiram estancar o sangue, o que salvou ele, pois perdeu 60% do sangue lá no local", pontuou Rosimeire. 

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Enfermeira (esquerda), a mãe de Gabriel e os motoboys que o socorreram

Segundo o irmão dele, Amilton Júnior, de 18 anos, algumas pessoas que passavam pelo local contaram que uma pipa com a linha estava suspensa na rua quando o ônibus passou e ela ficou presa no escapamento. Ao se mover junto com o ônibus, a linha atingiu a perna do adolescente e deixou sérios ferimentos. "Cortou artéria, cortou tudo, chegou quase aos ossos dele", relatou Júnior.

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