Às margens da avenida Teresa Cristina, no bairro Betânia, região Oeste de Belo Horizonte, mora Hilma Alves de Sousa, 56, há mais de 20 anos. Apesar de várias enchentes que já presenciou por lá, nenhuma havia causado tanta destruição como a desse domingo (19). Na manhã desta segunda (20), ela só consegue visualizar a residência da rua, prostrada no portão, já que está impedida de entrar no imóvel.

"Temos que esperar a Defesa Civil liberar pra gente entrar, minha casa parece que está interditada. Estou só com a roupa do corpo e minha identidade, perdemos praticamente tudo. O guarda-roupa desmanchou com as roupas dentro, não sobrou nada, e eu guardava um dinheiro ali. Era pouco, uns R$ 380, mas era o que a gente tinha", lamenta. 

Antes da interdição, conseguiu recuperar apenas "umas moedinhas" que encontrou pelo chão. No momento, a dona de casa e o marido, Guilherme Batista Neto, além de um filho, devem ficar em um cômodo na residência de um familiar, na mesma região. 

Guilherme mostra como ficou a residência do casal após o temporal:

Além da casa, as chuvas inviabilizaram também a principal fonte de renda do casal, um bar que fica próximo à casa. "A força da água empenou uma porta de ferro. Destruiu freezer, fogão, mesa, cadeira, cervejas, derrubou parede, muro. Também faço marmitex para vender e, agora, não tenho fogão mais para cozinhar. Tem 21 anos que moro aqui e meu marido 40. Nós nunca vimos isso. No ano de 2008 pra 2009 teve muita água também, mas não foi esse estrago todo", conta Hilma. 

Veja como ficou o estabelecimento do casal:

"Graças a Deus muita gente está sendo solidária, doando roupas e alimentos. Não temos pra onde ir, nem como vender e ir para outro lugar, porque ninguém compra. O jeito, agora, é continuar aqui e reconstruir tudo", conta Hilma. 

Agentes das superintendências de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e Limpeza Urbana (SLU) atuam, nesta manhã, na avenida Teresa Cristina e avaliam os prejuízos. O Executivo Municipal informou que o prefeito Alexandre Kalil também está em reunião com a Sudecap, Defesa Civil, BHTrans e Secretaria de Fazenda e Planejamento para tratar do assunto. 

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