No mês de fevereiro é comemorado o Dia do Mico-leão-preto e em Belo Horizonte a data vai ser celebrada de forma bem especial no no zoológico de Belo Horizonte, que registrou o nascimento de dois filhotes gêmeos desta espécie, símbolo da Mata Atlântica e ameaçada de extinção.

Os pais dos filhotes, que nasceram no último dia 6, são um macho de 5 anos de idade, que chegou ao zoo em julho do ano passado, e uma fêmea de 7, que embora tenha tido outro parceiro desde que chegou em BH, não chegou a reproduzir. É a primeira vez que nascem filhotes dessa espécie nos 61 anos na capital.

Segundo a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é uma das espécies de primatas mais raras e ameaçadas do mundo, com registros apenas no oeste do estado de São Paulo (nos remanescentes de Mata Atlântica).

Filhotes de mico-leão-preto

O sexo dos filhotes do Zoo de BH ainda é desconhecido. "Isso porque durante os primeiros dias de vida, técnicos adaptam a rotina de cuidados para promover o mínimo de contato possível, reduzindo possíveis perturbações à família e situações de estresse aos animais, que estão dedicados a cuidar da cria. Nesta espécie, inclusive, não é raro ver o pai carregando os filhotes, já que os machos são bastante participativos nos cuidados com a família", informou a fundação que administra o zoo.

Valéria Pereira, chefe da seção de mamíferos do Zoo de BH, explica que a formação do casal, mesmo com pouco tempo de convívio, e o sucesso da reprodução são bastante favorecidos quando existem condições ideais: cuidados técnicos adequados, boa infraestrutura de recintos e equipe qualificada e experiente para o manejo geral da espécie. Dentro do manejo correto, destaca-se a manutenção de apenas um macho e uma fêmea no recinto, além de suas crias. “Com mais machos ou mais fêmeas, podem ocorrer disputas e até mortes”, comenta. 

Os jovens filhotes de mico-leão-preto devem permanecer no mesmo recinto dos pais por muito tempo, independentemente do sexo ainda a ser descoberto. “As crias precisam aprender a cuidar de filhotes para também se prepararem para serem bons pais no futuro. Isso faz parte do nosso desejo em continuar contribuindo para a conservação dessa espécie por meio dos Planos Nacionais”, explica Valéria. 

Portanto, os visitantes do Jardim Zoológico de BH poderão presenciar a família convivendo em seu recinto por bastante tempo ainda. Até que os filhotes cresçam mais um pouco, pede-se ao visitante que continue, especialmente agora, respeitando as normas gerais de visitação consciente ao Zoo: manter o silêncio ao redor dos recintos (especialmente desta jovem família de primatas), não tentar chamar a atenção dos animais, não deixar resíduos de alimentos ou nem tentar alimentar os animais e zelar pela tranquilidade do espaço para o bem-estar de todas as espécies. 

Os visitantes do Jardim Zoológico que quiserem conhecer os filhotes devem manter o silêncio ao redor do recinto, evitar chamar a atenção dos animais, não deixar restos de comidas nem tentar alimentar os bichos. Essa regra vale para todos os animais do zoológico, mas especialmente para esta jovem família de primatas, principalmente até que os filhotes cresçam mais um pouco.

Sobre a espécie

Endêmico da Mata Atlântica do oeste do estado de São Paulo, o mico-leão-preto aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, na categoria “Em perigo” (IUCN, 2020-3 e ICMBio, 2014). Estima-se uma redução populacional de 50% ou mais nas próximas três gerações (2019-2040) devido à contínua perda de habitat (estabelecimento de novas propriedades rurais, agropecuária, queimadas, desmatamento etc.) e com potencial para perdas relevantes devido a eventos inesperados, como por exemplo, surtos de febre amarela que causam mortalidade significativa nas populações de mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia).


Trata-se de um animal onívoro, com dieta composta por frutos, exsudatos vegetais (líquidos que formam as resinas, gomas), néctar, flores e pequenos animais (anfíbios, répteis, aves, mamíferos, insetos, entre outros). Tem hábitos diurnos e é territorialista: cada grupo demarca um território (área de vida) que pode variar de 40 a 400 hectares de floresta, dependendo do tamanho da população. Vive em grupos familiares de dois a oito indivíduos, composto por uma fêmea dominante, um a dois machos reprodutivos e os filhotes e juvenis do casal, que permanecem no grupo até atingirem a maturidade sexual (por volta de 1 ano e meio de vida) e se dispersarem para a formação de seus próprios grupos familiares.

Reproduz, geralmente, uma vez ao ano, com gestação de quatro meses. Nasce um a três filhotes por vez. Mas, na maioria das vezes, a fêmea dá à luz dois filhotes, pesando cerca de 60 gramas cada. Os recém-nascidos passam os primeiros dias de vida pendurados ao ventre materno; depois disso é o pai que os carrega no dorso, cuida e os limpa; a mãe se aproxima somente para a amamentação. Os demais integrantes do grupo auxiliam no cuidado parental até que os filhotes possam se locomover sozinhos.