O fim da quarentena em Belo Horizonte só deve acontecer após chancela de especialistas que integram o comitê de enfrentamento à Covid-19, criado pela prefeitura em 17 de março. Três dias depois, o isolamento social ampliado, que considera o funcionamento normal somente dos serviços essenciais, passou a vigorar no município, sem data para acabar.

“Esta cidade está sendo comandada por três infectologistas chefiados pelo secretário municipal de Saúde (Jackson Machado): Carlos Starling, Estevão (Urbano) e Unaí (Tupinambás). São eles que decretarão o fim da pandemia e a saída (dessa situação), que deve ser cuidadosa”, anunciou o prefeito Alexandre Kalil durante entrevista coletiva na última segunda-feira (6).

Na decisão, segundo o chefe do Executivo, também vão pesar as experiências adotadas em outras partes do mundo. Como exemplo, Kalil citou a situação da Itália, que aderiu ao isolamento social tardiamente, e a China, que respondeu com mais rapidez ao enfrentamento.

No país europeu, mais de 17 mil pessoas morreram por conta do novo coronavírus. A taxa é a mais alta do mundo e ultrapassa a nação asiática, onde a pandemia teve origem. Lá, segundo as autoridades, foram computados 3.331 óbitos até o momento. 

“Ou vamos seguir um exemplo ou outro. Temos escolhas. O isolamento deve ser feito com cuidado. Devemos copiar quem sabe fazer”, enfatizou o prefeito de Belo Horizonte.

Nessa linha, as orientações do comitê de enfrentamento à doença na capital são dadas por Estevão Urbano, atual presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), cadeira que também já foi ocupada por Carlos Starling. Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e doutor em doenças infecciosas e parasitárias, fecha o trio de especialistas.

Precoce

Para Estevão Urbano, flexibilizar a quarentena, conforme indicação de nota técnica do Ministério da Saúde, publicada na última segunda-feira, seria precoce especialmente para Minas Gerais e Belo Horizonte. “Estamos entrando em um período de pouca chuva e mais frio, o que aumenta a chance de circulação viral”, alerta o médico, que também compõe o corpo clínico do Hospital Madre Teresa, na capital.

O especialista diz, ainda, que o afrouxamento da quarentena neste momento é algo condicional, “porque não garante que não aconteça um refluxo de casos, ou seja, uma onda maior após a liberação”.

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