Exatos 89% dos profissionais de saúde do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, apresentaram anticorpos contra o coronavírus após receberem as duas doses da vacina CoronaVac. Vale destacar, porém, que a proteção foi alcançada 30 dias após a aplicação da primeira dose.

Nesta quinta (8) e sexta-feiras (9), a Fiocruz realiza a segunda etapa do estudo, com a coleta de sangue dos funcionários do hospital 30 dias após a imunização com a dose de reforço. Os resultados devem ser divulgados em breve e devem explicar por quê os outros 11% dos participantes do teste não apresentaram reagentes contra a Covid.

"Essa resposta vem na próxima semana. A nossa expectativa é de que a grande maioria ou todos vão apresentar reagentes. Porém, para aqueles que não apresentarem reagentes, vamos extrapolar o estudo: não vamos medir só os anticorpos [via teste RT-PCR]. Vamos fazer um estudo celular para responder o que ocorreu. Apesar disso, protegidos e imunizados contra a Covid, todos estão, mesmo aqueles que não apareceram reagentes", explicou Rafaella Fortini, pesquisadora da Fiocruz.

De acordo com a fundação, o estudo busca avaliar a resposta imunológica da vacina - alguns estudos têm mostrado uma queda dos anticorpos ao longo do tempo, como ocorre com a vacina da gripe, que precisa de reforços anuais. A especialista, no entanto, informou que a expectativa para a vacina da Covid é de duração "em anos", o que ainda está em estudo no mundo todo.

Conforme a pesquisadora Rafaella Fortini, o acompanhamento dos vacinados nesta pesquisa durará 2 anos.

Primeira etapa

Na etapa inicial, realizada no início de março, 440 profissionais do Hospital da Baleia - única instituição de saúde de Belo Horizonte escolhida pela Fiocruz para participar da pesquisa - se voluntariaram e tiveram o sangue coletado após receberem a primeira dose da vacina.

De acordo com a Fiocruz, os exames envolvem a análise de uma amostra (geralmente sangue, soro ou plasma) para mostrar a presença ou quantidade de um anticorpo, produzido pelo sistema imunológico.

"Anticorpos são proteínas (imunoglobulinas) que protegem as pessoas contra invasores microscópicos como vírus, bactérias, substâncias químicas e toxinas. Esse estudo possibilita não apenas dimensionar a intensidade e duração das respostas dos anticorpos, mas também investiga a capacidade de neutralização do vírus", informou a Fiocruz, em nota.

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