Em um mês, funcionários do Parque Ecológico da Pampulha recolheram três sacos de lixo de 100 litros contendo linhas com cerol – mistura de vidro moído e cola – e linha chilena – versão industrializada do composto. A área verde é um dos locais na capital onde a proibição, imposta pela Lei do Cerol, criada há 13 anos, é fiscalizada.

As linhas são altamente perigosas para motociclistas, devido ao poder de corte associado à velocidade. Por causa do uso ilegal, somente no primeiro semestre deste ano, 21 pessoas foram internadas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. As principais ocorrências envolvem cortes no pescoço.

Para reduzir essa triste realidade, ontem, na entrada do parque, os visitantes encontraram todo o material recolhido durante os últimos 30 dias e receberam orientações sobre os impactos do uso das linhas e das pipas de plástico, que demoram mais para degradar, poluindo e trazendo riscos para os animais do parque.

"A gente pretende fazer esse trabalho interno pra refletir no externo. Muita gente vai para lá soltar pipa”, disse o diretor de Educação Ambiental da Fundação Zoo-botânica, Cláudio Maciel, responsável pela área. Segundo ele, cerca de 5 mil pessoas passaram pelo parque, ontem.
 
Participantes

O motorista Denilson dos Santos Lopes, de 35 anos, foi abordado na campanha contra o cerol e a linha chilena. Para ele, a conscientização é fundamental para evitar acidentes como o que ele foi vítima, na MG-10, próximo à Cidade Administrativa. “Estava de moto e fui surpreendido pela linha. Cortei o pescoço e uma parte do dedo tentando arrancar”, contou.

Para auxiliar operacional Johnathan Gonçalves, de 28 anos, que veio de Goiânia com a filha Maria Eduarda Borges, de 7, conhecer a cidade, o alerta é muito importante. “Cerol é uma coisa complicada. É preciso prevenir”, afirmou.
 
Área verde ganha ponto exclusivo para a prática do slackline
 
Uma área para o equilíbrio, para manobras e para fazer novas amizades. É assim a área exclusiva criada no Parque Ecológico da Pampulha para a prática do slackline. O esporte foi proibido em março deste ano, mas, após reivindicação dos praticantes, foi liberado, no dia 10 deste mês.

No último sábado, o local foi inaugurado com a realização de uma das etapas do Campeonato Mineiro de Slackline. O local fica próximo a área administrativa do parque e tem vários pontos com madeira de reflorestamento para ancoragens de fitas.

Para o estudante João Campos, de 22 anos, a mudança é positiva, principalmente pela proteção das árvores mais novas. “Está incentivando o esporte sem prejudicar as árvores”, afirmou o jovem, que está iniciando no esporte.

Além da preservação, a área reúne amantes da prática em um espaço único. “Acaba concentrando e chama a atenção das pessoas. A galera vem ver e rola uma troca de conhecimento”, disse o professor de percussão Ângelo Augusto de Oliveira Santos, de 22 anos, que pratica slackline há mais um ano e seis meses.