Fogo devasta Minas com intensidade quatro vezes maior do que a média

Álvaro Castro - Hoje em Dia
07/06/2014 às 07:30.
Atualizado em 18/11/2021 às 02:54
 (Marcelo Prates)

(Marcelo Prates)

O prognóstico mineiro para 2014 no que diz respeito a incêndios florestais é alarmante. Até maio, a área queimada foi 405% maior do que a média histórica registrada anualmente, reflexo do baixo índice pluviométrico do período chuvoso. A expectativa é a de que a situação piore ainda mais no auge da estiagem, em meados de agosto.   Além das condições extremas do clima, contribuíram para o aumento dos focos de incêndio a maior quantidade de material combustível nas áreas de preservação na forma de mato seco, uma vez que, nos últimos dois anos, as ocorrências foram mais brandas. Com a chegada da seca, que pode ser a maior dos últimos 40 anos, a tendência é de agravamento do quadro.   Números   Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), Minas registrou, neste ano, 85 ocorrências de incêndios florestais apenas nas unidades de conservação geridas pelo Estado e nas respectivas áreas de amortecimento do entorno, totalizando 1.020 hectares de vegetação destruída, apenas de janeiro a maio.   A área é quatro vezes maior do que média histórica anual (entre 2009 e 2013): 251 hectares. No mesmo período, foram 28 ocorrências nos parques estaduais e adjacências.   Até agora, o campeão em ocorrências foi o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, com 20 registros de incêndios na área interna e outros 15 no entorno, respondendo por 41,18% dos chamados.   Rodrigo Bueno Belo, diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Eventos Críticos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), confirma que a piora das condições climáticas neste ano, com a longa estiagem, deixou a vegetação das áreas de conservação mais ressecadas, favorecendo o aparecimento dos focos de incêndios.    “Com a vegetação mais seca, fica mais fácil a ignição, que pode se dar pela incidência de raios, isqueiros, churrasqueiras, fogueiras mal apagadas e até mesmo o escapamento de um caminhão”, explica.    Mato seco   Ainda de acordo com Rodrigo Belo, com a menor incidência de queimadas nos últimos dois anos, a quantidade de combustível nos parques está mais abundante, o que pode aumentar as proporções das ocorrências, trazendo incêndios mais severos a partir de agora.   A congruência de fatores climáticos como a baixa umidade e fortes ventos ajudam a propagar as chamas. “Diante desse quadro que se desenha, a gente sabe que este ano vai ser pior do que o ano passado”, afirma Rodrigo Belo.   Para tentar combater as queimadas, o diretor de Prevenção e Combate a Incêndios da Semad aponta a importância do trabalho de educação junto às comunidades do entorno dos parques, como as do Rola-Moça, já que muitas ocorrências são decorrentes da ação direta ou indireta do homem.   “Se não tivermos a contribuição da comunidade, com a diminuição do uso do fogo e evitando os incêndios, nunca chegaremos ao número que gostaríamos”, alerta Rodrigo Belo.   Tecnologia de ponta para tentar conter as chamas   Se a perspectiva para o ano de 2014 é desanimadora, espera-se que as ações de combate e prevenção sejam condizentes com o cenário previsto. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) preparou uma série de ações e medidas para tentar minimizar os impactos que as queimadas devem causar às unidades de conservação. Além do aumento do efetivo e dos convênios com Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, a tecnologia será uma grande aliada.   Equipamentos como o soprador costal (semelhante a um soprador de folhas), bombas portáteis leves e com alta vazão e motobombas com mais de 500 litros de capacidade de água serão utilizados pelas equipes de brigadistas voluntários e demais combatentes.    Além disso, nove aviões air-tractor (que lançam água diretamente no fogo) serão adquiridos. Uma novidade para este ano é um helicóptero capaz de lançar água. O aparelho é mais fácil de reabastecer e consegue utilizar até uma lâmina de 60 centímetros para encher o reservatório de cerca de 4 mil litros.    Natureza extrema   Contudo, nem mesmo toda a preparação, os cursos, o treinamento e a educação das comunidades deverão evitar a destruição. “A gente sempre se prepara, mas isso não isenta nenhum lugar do planeta de ter grandes incêndios. Os EUA e a Espanha investem milhões de dólares e não escapam. São elementos naturais, agravados pela ação do homem, como a introdução de espécies exóticas. O risco é maior que no ano passado, mas estamos preparados e temos uma grande estrutura”, analisou o diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Eventos Críticos da Semad, Rodrigo Bueno Belo.

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