Em apenas uma semana, mais que triplicaram os focos de incêndio em Minas. De 213, a quantidade subiu para 651, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse cenário, combinado à umidade do ar com os níveis mais baixos do ano e nuvens de fumaça cobrindo o céu da metrópole, já impacta a saúde da população, aumentando os casos de crises respiratórias e desidratação.

No setor de emergência do Hospital Infantil João Paulo II, por exemplo, o número de atendimentos subiu 12% em sete dias. Nos postos da rede pública de BH não houve, até o momento, crescimento significativo na assistência. Porém, o perfil dos pacientes se tornou mais homogêneo.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a maioria das pessoas que procuram socorro é formada por crianças e idosos com sintomas ligados à desidratação.

Cenário pessimista

“Sem dúvida, a tendência é que haja crescimento dos casos. O mais importante é prezar pela hidratação, evitar atividades físicas de 9h às 16h e tentar umidificar o ambiente para evitar o ressecamento das vias aéreas”, alerta o pneumologista pediátrico, coordenador da emergência do hospital João Paulo II, Vinícius Ganem.

O médico Alex Sander Sena, gerente de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde, reforça a orientação. “O ideal é beber de 3 a 4 litros de água por dia. Além disso, é aconselhável evitar roupas pesadas e escuras. Diante de sinais de doenças respiratórias, a pessoa deve procurar o centro de saúde mais próximo de casa”, destaca.

Sem trégua

A nuvem de fumaça que encobriu grande parte da capital, causando incômodo a milhares de pessoas na noite da última quarta-feira e ontem, pode se repetir nos próximos dias. Conforme meteorologistas, o fenômeno acontece devido à soma de fatores climáticos desfavoráveis.

“Com atmosfera ‘parada’ há cerca de uma semana, massa de ar quente e seco, grandes incêndios na capital e arredores, ausência de ventos fortes e, por fim, poluentes urbanos estacionados na baixa atmosfera, o resultado é o que muitos viram e sentiram”, explica Dayan Carvalho, diretor de Meteorologia e Alerta de Risco da Defesa Civil municipal.

As chuvas podem chegar em quatro dias. “Há expectativa que esse padrão atmosférico se altere no domingo, com indicativo de precipitações fracas e isoladas. A primavera se inicia no dia 23, e é muito provável que haja chuva já no início dessa estação”, acrescentou Carvalho.

Colaboraram Malú Damázio e Anderson Rocha

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