Desde o dia 28 de setembro que Belo Horizonte vem convivendo com índices superiores a 35°C e a possibilidade de haver, neste mês, a quebra de recorde de dia mais quente de sua história. Nessa sexta-feira, a capital mineira registrou máxima de 37°C, bem próximo dos 37,7°C registrados em 22 de outubro de 2015, data de maior temperatura na cidade, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com Lizandro Gemiacki, coordenador do Inmet, a previsão é de que, neste sábado, a temperatura se mantenha acima dos 35°C: a máxima ficaria entre 36°C e 38°C. Já no domingo, cairia para 34°C; na segunda, a previsão é de 32°C, um a mais que na terça, em que haveria um novo aumento da temperatura.

“Existe a possibilidade (de um novo recorde de temperatura em BH) amanhã (sábado) ou na semana que vem. Claro que os dados vão sendo atualizados dia a dia. Para amanhã (sábado) tem essa condição de quebra de recorde, mas não quer dizer que vá ocorrer. É possível, assim como na semana que vem também possa vir a acontecer”, comentou Gemiacki.

Ele lembrou ainda que outras regiões em Minas vêm tendo que conviver com esses índices, como em Campina Verde, no Triângulo, com registros de 40,3°C. Mas, apesar dessas altas, ressaltou que trata-se de algo “normal” nesse período do ano.

“É comum essa onda de calor na nossa região, com temperaturas altas em outubro. Neste ano, houve uma massa mais intensa, com recorde em praticamente grandes áreas do Brasil. Então, muitas regiões estão acima dos 40°C”, afirmou.

Desde o fim de setembro que correntes fortes de vento passaram a bloquear frentes frias no Uruguai e no Sul do país, sendo desviadas para o mar e não chegando ao interior do Brasil. Com isso, altas temperaturas passaram a predominar em várias áreas, como em Minas.

BH

‘Deserto’

Além do forte calor, BH convive com baixíssima umidade relativa do ar. “Hoje (sexta), a umidade chegou a 15% na Pampulha, índice de deserto. O ideal, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) é que a umidade seja em torno de 65%”, informou Gemiacki.

Diante deste quadro, há vários cuidados a serem tomados, como enfatiza o médico e coordenador de saúde e segurança do grupo Hermes Pardini, Carlos Rodrigues de Alencar.

“No tempo quente e seco, a principal preocupação das pessoas é com a hidratação. Mesmo em ambiente refrigerado, com ar condicionado, o fato de o ar estar muito seco aumenta sua perda de água por meio da respiração. Mesmo que não se esteja suando ou fazendo atividade física, está desidratando num tempo frio ou mais úmido”, ressalta.

De acordo com ele, uma dica para saber se a pessoa estar hidratada ou não é observar a urina. “Se a urina estiver clarinha ou como a água, é porque a pessoa está se hidratando bem. Caso esteja muito amarela ou escura, é porque está desidratada”, diz.

Além disso, ressalta a preocupação com exposição ao Sol. “A regra é parecida com o restante do ano, de evitar o Sol entre 10h e 16h, que é quando há maior incidência e um risco maior de causar danos à pele. Usar filtro solar também. Com relação às atividades físicas, se faz necessário diminuir a performance de atividade, não passar do limite”, destaca.

Quanto ao tipo de roupa, é recomendável “dar preferência a tecidos que respiram, para não deixar suor acumulado na pele, o que geraria um certo desconforto”.