Tolerância zero contra o assédio, cerco ao pancadão dos carros de som e tecnologia de ponta para detectar suspeitos, inibindo ações criminosas. O maior Carnaval da história de BH, que promete arrastar 4,6 milhões de foliões pelas ruas, terá esquema especial de segurança, inclusive com agentes à paisana. Essa é a garantia dada pela organização do evento, Corpo de Bombeiros e polícias Civil e Militar.

A vigilância constante, de diferentes ângulos e até a distância, será uma das armas utilizadas pela PM. Homens estarão a postos em varandas de casas e empresas para observar os maiores blocos de rua. Também serão usadas plataformas elevadas, como escadas.

“Com binóculos de grande aproximação, os policiais poderão ver movimentações suspeitas e confusões, acionando as equipes que estarão na multidão”, explicou o chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), Anderson de Oliveira. Segundo o oficial, os proprietários dos imóveis já autorizaram a presença dos militares.

Pelo menos 8,5 mil militares farão o patrulhamento em BH, mas o número pode aumentar conforme a necessidade. Cerca de 400 homens e mulheres do interior, principalmente de cidades onde não haverá Carnaval em 2019, poderão integrar o policiamento na capital

Estrutura

Os trabalhos no solo terão o auxílio da tecnologia. Duas carretas do Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICC) estarão equipadas com câmeras que alcançam até três quilômetros, com visão noturna e leitura de calor, capazes de rastrear revólveres e facas a distância, além de fazer o reconhecimento facial das pessoas.

Os equipamentos fazem giro de 360º, possibilitando comunicação em tempo real entre a cabine e os agentes nas ruas. Os veículos ficarão estacionados, alternadamente, em três pontos da capital. A escolha leva em conta as áreas que mais registraram crimes durante a folia 2018.
Sete drones também farão o patrulhamento aéreo, até mesmo na chuva. “Cada um equivale a cerca de 20 viaturas, todos com giroflex, para alertar que a polícia está presente”, destaca o porta-voz da PM, major Flávio Santiago.

Em alguns palcos, como no da Praça da Estação, ainda serão instalados canhões de luz e laser, visando a facilitar a identificação de comportamentos suspeitos. “O militar que estiver no topo poderá iluminar o ponto onde houver movimentação estranha, o que ajudará a inibir atos criminosos e auxiliará o agente no chão a seguir o feixe de luz até o local”, detalhou o coronel Anderson de Oliveira.

As estratégias que aliam tecnologia e inteligência policial são as mais eficazes, avalia o especialista em segurança pública Luiz Felipe Zilli, da Fundação João Pinheiro. “É um caminho que pode dar bons resultados, dada a dificuldade de se policiar tamanho público aglomerado”. 

Assédio

Com muitas reclamações de assédio durante a festa, as polícias irão reforçar o combate à importunação sexual. “Seremos ferrenhos. Teremos militares no policiamento velado”, adiantou o major Flávio Santiago.

Já a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, no Barro Preto, região Centro-Sul, irá funcionar 24 horas por dia. Por lá, as equipes foram ampliadas de cinco para dez. O reforço, de acordo com o delegado Felipe Falles, coordenador de Operações da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária, é mediante a recomendação de que as vítimas registrem todos os casos.

Drones

Com a expectativa da presença de milhares de foliões, o Corpo de Bombeiros aumentou em quase três vezes o efetivo disponível durante o Carnaval deste ano em Belo Horizonte. Serão 988 militares – 169% a mais que o grupo empenhado em 2018, quando foram 366.

Aos agentes soma-se a tecnologia. Drones vão ser usados para indicar o caminho até pessoas que estiverem passando mal nos desfiles dos blocos. “Até então, usávamos essas aeronaves só para monitorar e fazer a contagem do público. Agora, com a aquisição de novos equipamentos, eles serão usados como uma espécie de ‘bombeiro no ar’, indicando onde será a incursão na multidão para o atendimento antes mesmo de alguém acionar os militares pedindo socorro”, informou o coronel Anderson Almeida.

Além disso, cinco postos médicos avançados serão instalados nas avenidas Afonso Pena (em frente ao Palácio das Artes) e Getúlio Vargas e nas praças da Estação, Tiradentes e Raul Soares. A iniciativa visa a desafogar unidades de saúde do município.

Guarda-vida

No interior do Estado, o reforço se estende a lagos, represas e cachoeiras, locais que registram aumento de público nesta época. 

Segundo o capitão Heitor Mendonça, chefe da Divisão de Operações do 1ºComando Operacional, o Lago de Furnas, no Sul, e a represa de Três Marias, na região Central, terão vigilância redobrada. “Esses lugares e várias outras cachoeiras ficam bem movimentados, ainda mais com as altas temperaturas do verão. Estando por perto, teremos condições de atendimento mais ágil em caso de qualquer ocorrência”.

Brumadinho

Por conta da estratégia de segurança para a folia na capital e em outras cidades, o coronel Anderson Almeida garantiu que demais serviços não serão afetados, inclusive os trabalhos de buscas a vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande BH.

Para isso, foi preciso replanejar o atendimento da corporação, disse o militar. “De municípios onde não há tradição de Carnaval iremos trazer parte do efetivo para atuar em BH. Com isso, não haverá mudança nos trabalhos em Brumadinho, por exemplo. Também teremos efetivo suficiente para atender as chamadas rotineiras, feitas através do 193”

(Colaborou Bruno Inácio)

bloco de rua carnaval
Binóculos de longo alcance serão usados por militares que ficarão em varandas para observar os maiores blocos