​"Ele segurou em uma ​estrutura e viu a lama passando". Assim Antônio França, de 55 anos fez para sobreviver ao mar de lama do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Internado no João XXIII, na área hospitalar, ele conversou com familiares e contou como tudo aconteceu. 

Ainda assustado, o soldador que trabalhava na empresa há cerca de 10 meses, afirmou que nasceu de novo​. "Foi um milagre de Deus, mas ele está bem", disse o irmão ​R​one França, de 45 anos. ​Ele soube do acidente rapidamente, porque mora na cidade. Imediatamente ele tentou contato com Antônio, mas o celular estava desligado. Pouco depois, a esposa de Antônio recebeu uma ligação do hospital e todos se encaminharam para lá. 

"Ele está lúcido, com alguns arranhões e dores na costela, e muito apavorado, assustado", contou Rone. 

À família, o trabalhador da mineradora afirmou que estava com mais oito colegas muito próximo do acidente para soldar chapas. Os amigos, porém, foram levados pela enxurrada de rejeitos porque não houve tempo suficiente para correr. Quando os bombeiros chegaram, ele ainda estava "ilhado" e preso por materiais que precisaram ser cortados. 

Ainda segundo familiares, Antônio nunca demonstrou preocupações com a situação da barragem. Para ele, o caso foi uma fatalidade. 

Tragédia

A barragem da Mina do Feijão, no distrito do Córrego do Feijão, se rompeu no início da tarde desta sexta-feira (25). Os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia, um refeitório e parte da comunidade da Vila Ferteco. 

O governo do Estado montou uma força-tarefa no local da tragédia e abriu um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil também estão no município. O Ministério da Integração Nacional também se deslocou para Brumadinho. 

A Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), acionou um protocolo de catástrofe para receber os feridos. Cinco vítimas foram direcionadas para o hospital João XXIII, em Belo Horizonte.  

A Vale criou um Comitê de Ajuda Humanitária, formado por assistentes sociais e psicólogos, para prestar assistência aos atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A empresa também está providenciando hospedagem aos atingidos e familiares.

Relembre

Esta é a segunda barragem relacionada à empresa a se romper em Minas Gerais. Em 2015, uma enxurrada de lama destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região Central do Estado. 

Os rejeitos da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, atingiram também grande parte de Paracatu de Baixo e Gesteira, na mesma região. Os rejeitos destruíram o Rio Doce e chegaram ao mar no Espírito Santo.