Um trabalhador que era chamado de macaco por colegas de trabalho deverá receber R$ 7.500 por danos morais da empresa que o empregava. A ação foi julgada na 1ª Vara do Trabalho de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e confirmada pela 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho. A vítima que sofreu a injúria racial atuava como operador de logística na empresa.

Uma das testemunhas ouvidas pela juíza Patrícia Vieira Nunes de Carvalho contou que a ofensa partia de vários funcionários, mas que um operador de empilhadeira demonstrava ser mais agressivo. Em um determinado dia, a testemunha viu a vítima pedir ao colega para baixar a lança da empilhadeira e ouvir como resposta: "se você quiser, macaco, você baixa a lança e, se não quiser, chama a macaquinha da sua irmã para baixar".

Além disso, havia desenhos de macacos no banheiro da empresa, com o nome do trabalhador. Mesmo após a equipe de faxina limpar os desenhos, outros eram feitos em seguida. O operador de logística chegou a se queixar do problema com o líder, que não teria tomado nenhuma atitude.

As agressões verbais e os desenhos teriam sido feitos ao longo de dois meses. A situação só mudou no momento em que a vítima fez um boletim de ocorrência e, a partir da denúncia junto à polícia, a empresa decidiu demitir por justa causa o colega que agia de maneira mais ofensiva.

Para a juíza, a empresa deve responder diretamente "pelos atos ocorridos no ambiente de trabalho, uma vez que é seu dever manter um local de trabalho adequado tanto na estrutura física quanto no patamar ético-moral".