Aproximadamente 1.200 funcionários da Samarco que estavam afastados de suas atividades há 67 dias, quando houve o rompimento da barragem Fundão, em Mariana, região Central de Minas, retornaram à unidade nesta segunda-feira (11).

A mineradora, controlada pela Vale a anglo-australiana BHP, informou que os trabalhadores foram designados para fazer a limpeza e manutenção dos equipamentos, já que as operações nas barragens Germano e Santarém estão suspensas sem previsão de retorno.

Os funcionários também vão atuar, conforme a Samarco, nas "frentes voltadas para a recuperação social e ambiental das localidades impactadas pelo acidente e no cumprimento das atividades necessárias ao cumprimento das obrigações da empresa".

Desde a tragédia, ocorrida em 5 de novembro, os funcionários estavam de licença remunerada e férias coletivas. Trabalhadores de Anchieta, no Espírito Santo, também voltaram ao serviço nesta segunda-feira.

Outros 1.800 empregados permaneciam atuando nas frentes de atendimento humanitário e mitigação de consequências ambientais do acidente.

Qualificação

A Samarco garantiu que todos os empregados farão cursos de qualificação profissional, que serão bancados pela empresa. "A participação dos empregados nos cursos garante bolsa de qualificação paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador. Adicionalmente, a Samarco irá garantir o recebimento do salário liquido do empregado com uma complementação à bolsa de qualificação profissional, chamada ajuda compensatória paga pela empresa, que somada à bolsa equivale ao líquido do salário base do empregado. Além disso, todos os benefícios previstos em acordo coletivo serão mantidos", comunicou a mineradora, por meio de nota.

O emprego dos funcionários está garantido até o dia 25 de abril. "A intenção é suspender os contratos de trabalho de todos os empregados que não estiverem atuando nas diferentes frentes de trabalho da empresa, voltadas para a recuperação social e ambiental das localidades impactadas pelo acidente e no cumprimento das atividades necessárias ao cumprimento das obrigações da empresa. Esperamos que a medida atinja entre 1000 e 1500 empregados", informou.

Tragédia

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco provocou 17 mortes e deixou dois desaparecidos. O distrito de Bento Rodrigues foi destruído, centenas de pessoas ficaram desalojados e desabrigadas.

O mar de lama que devastou o Rio Doce e seu entorno avançou até o Estado do Espírito Santo, atingindo rios e praias. O desastre é considerado a tragédia ambiental mais grave do país.

Atualizado às 18h50