Cinco funcionários da Vale e um consultor da empresa Tüv Süd foram convocados pela CPI da Barragem de Brumadinho para serem ouvidos na audiência desta segunda-feira (12), mas nenhum deles compareceu à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Todos eles estavam respaldados por liminares da Justiça.

Quatro desses profissionais já tinham sido ouvidos pela CPI, mas foram convocados novamente pela CPI para uma acareação. A intenção era esclarecer algumas questões, como o rompimento do 15º dreno da barragem e a leitura dos radares, que já mostrava movimentação na estrutura.

Mas a audiência não deixou de acontecer. Os deputados decidiram iniciar a elaboração do relatório sobre o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em janeiro deste ano. A tragédia matou 248 pessoas e outras 22 permanecem desaparecidas.

“Já temos uma série de fatos, de ações e de omissões para fundamentar um bom relatório com as devidas responsabilizações coletivas e individuais”, afirmou André Quintão (PT), relator da CPI. “Parece que a estratégia foi tentar blindar os escalões superiores da Vale, mas os fatos estão absolutamente explicitados”, completou.

O presidente da CPI, Gustavo Valadares (PSDB), afirmou que as reuniões ordinárias da CPI da Barragem de Brumadinho, realizadas às quintas, às 9h30, não ocorrerão mais. Apenas reuniões extraordinárias necessárias serão agendadas.

Desde março, A CPI realizou 17 reuniões ordinárias, 14 extraordinárias e 120 oitivas. Além disso, mais de 215 requerimentos foram aprovados e 346 oficios foram enviados a órgãos. Também foram feitas duas visitas.

Procurada pela reportagem, a Vale ainda não se manifestou sobre o assunto.

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