Fundep gerencia Hospital Risoleta Neves no vermelho

Alessandra Mendes- Hoje em Dia
18/11/2014 às 07:23.
Atualizado em 18/11/2021 às 05:03
 (CARLOS RHIENCK/ HOJE EM DIA )

(CARLOS RHIENCK/ HOJE EM DIA )

Um dos mais importantes hospitais de Belo Horizonte está operando no vermelho, há cerca de um ano, e o problema pode impactar o atendimento aos pacientes. Referência nas áreas de urgência e emergência e também no setor de maternidade, o Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN) tem um custo mensal médio em 2014 de R$ 13 milhões. Entretanto, o repasse feito pelo poder público é de R$ 11,3 milhões por mês. O déficit, estimado em cerca de R$ 1,7 milhão, fica a cargo da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), gestora da unidade.   O alto valor complementado pela fundação, mensalmente, tem garantido a atenção integral aos pacientes e o pagamento sem atraso dos funcionários e dos fornecedores. Porém, de acordo com nota da assessoria do hospital, a situação tem sido “administrada dentro dos limites aceitáveis”. A direção está buscando garantir os recursos necessários junto aos responsáveis “para que o hospital não seja obrigado a fazer adequações assistenciais frente ao déficit orçamentário de custeio”.   Dos R$ 11,3 milhões repassados para a unidade, R$ 6,3 milhões são dos cofres do Estado e o restante da União. O que não se sabe ao certo é a quem cabe a dívida mensal de R$ 1,7 milhão para custear os gastos do hospital. A princípio, o Ministério da Saúde informou que repassa o valor firmado em contrato para o Fundo Municipal de Saúde de Belo Horizonte e que a gestão é tripartite.   Sem consenso   Entretanto, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), que confirmou destinar todo mês R$ 6,3 milhões para o HRTN, tem uma versão diferente. Segundo o órgão, foi assinado, em dezembro de 2013, acordo prevendo um aumento referente ao montante alocado pela União. “No entanto, o Ministério da Saúde não repassou o reajuste acordado, gerando o déficit apontado pelo hospital”, informou a SES.   Diante do cenário exposto pelo Estado, que se baseia em um acordo que prevê um aumento de R$ 2,1 milhões no aporte feito pelo governo federal, duas situações são possíveis. Ou o Ministério da Saúde não reajustou o valor do repasse, como previsto, ou o município, que recebe o montante, não tem encaminhado o valor corrigido para o HRTN.   Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o cronograma está em dia. O montante investido pelo município é de R$ 500 mil mensais dentro dos R$ 6,3 milhões repassados pelo Estado. A pasta confirmou que o valor encaminhado pela União é de R$ 5 milhões, sem o reajuste mencionado pelo Estado.   O Ministério da Saúde informou, por nota, o repasse de R$ 4,4 milhões ao HRTN mensalmente. A pasta afirmou que, em setembro de 2014, renegociou o débito de R$ 8,9 milhões do município com a União liberando esses recursos para reduzir o déficit. O valor já foi transferido ao fundo municipal de saúde.   Dívidas   Como o Hoje em Dia mostrou nessa segunda-feira (17), a fundação também acumula um rombo milionário porque tem coberto as despesas mensais para manter a UPA Centro-Sul. A responsabilidade pelo pagamento do valor médio de R$ 1,5 milhão mensais é da prefeitura.   Juntando os desfalques das duas unidades de saúde, a Fundep tem que desembolsar mais de R$ 3 milhões para manter tudo funcionando. Questionada pela reportagem sobre a origem desse dinheiro, a Fundep alegou que “utiliza recursos próprios e, posteriormente, é ressarcida pela prefeitura. A fundação ainda afirmou que os atrasos não comprometem a atividade e que tem a expectativa da normalização dos pagamentos.

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