Adotadas por muita gente na pandemia como meio de transporte e principalmente para a prática de exercícios, bicicletas estão caindo nas garras de ladrões. De janeiro a setembro, houve aumento de 44% no furto delas em BH, na comparação com o mesmo período de 2019.

Os dados, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apontam que nos primeiros nove meses deste ano 162 bikes foram tomadas por bandidos. O número é maior, inclusive, que a soma das ocorrências em 2019 (151). O balanço diz respeito apenas a quem prestou queixa na polícia.

A publicitária Lívia Campolina foi uma das vítimas. Há poucos dias, teve duas bicicletas furtadas na garagem do prédio, no bairro Sion, região Centro-Sul. “Os ladrões estragaram o portão para conseguir entrar e arrombaram os cadeados delas”, lamenta, contando que as bikes eram emprestadas.

Lívia, que integra um grupo de mulheres que pedalam, o Terça das Manas, registrou boletim de ocorrência on-line e conta que pretende organizar as finanças, pagar a amiga e comprar uma. “Pensei na dobrável, para guardar dentro do apartamento”.

“É recorrente a notícia de furto de bicicletas nos grupos de que participo. O que percebo é que a grande maioria das ocorrências diz respeito a furto nas garagens de casas e edifícios”, afirma Amanda Corradi, da Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH Ciclo)

Caras e disponíveis

O sociólogo e especialista em segurança Luís Flávio Sapori diz que vê com relativa naturalidade o aumento do crime. “Considerando que esse tipo de furto cresceu muito em função da maior disponibilidade de bicicletas nas ruas e de que elas estão mais caras. Não são mais as do passado. A revenda para receptação deve ter aumentado”.

Ele acrescenta que, com a diminuição da circulação de veículos, o comércio fechado e mais gente dentro de casa, os ladrões tiveram menos oportunidade para vitimar outros alvos. “A bicicleta ficou mais fácil de ser objeto de furto. O contexto de oportunidades ficou mais favorável”, frisa Sapori.

Procura

Dono de uma empresa de venda e manutenção de bicicletas no bairro Nova Suíça, em BH, o também ciclista Rodrigo Celeghini confirma o aumento da procura por este meio de transporte. Ele diz ter registrado acréscimo de 300% nas vendas de bikes, peças, acessórios e nos serviços de manutenção, entre março e agosto deste ano. Em setembro, segundo ele, as vendas continuaram maiores do que no mesmo mês do ano passado.

Celeghini diz que podem ser adquiridas no país bikes que custam até R$ 104 mil. Ele mesmo tem, à venda, um modelo de R$ 45 mil. “Essas bicicletas super equipadas são muito leves, feitas em fibra de carbono. Uma bike convencional, de R$ 1 mil a R$ 2 mil, pesa 15 quilos, uma de fibra de carbono pesa oito”, diz.

Prevenção

A Guarda Municipal e a Polícia Militar fazem rondas rotineiras em toda a cidade. Como dicas preventivas aos ciclistas, a PM recomenda priorizar o pedal em locais com maior número de pessoas. E, na hora de estacionar, escolher lugares que transmitam segurança, além de usar cadeados.

Além disso

Integrante da organização de formação de ciclistas Bike Anjo – que se reúne para ensinar outras pessoas a pedalar –, a artista de performance Elisa Dias Carvalho também recomenda que sejam usadas correntes e cadeados, mesmo quando as bicicletas são guardadas em casa, nas garagens. “Gosto de passar uma corrente unindo o quadro com a roda anterior, outra com a roda traseira e, ainda, cadeado especial para bicicleta, chamado u-lock”, conta. Há ainda, no mercado, ensina Elisa, GPS para bikes, que é uma proteção extra. Ele pode ser instalado sem que seja percebido e permite, em caso de furto, que o paradeiro da magrela seja rastreado.

Aos 34 anos, Elisa Dias conta que pedala desde os 8, usando a bicicleta como lazer e meio de transporte, por ser mais saudável. Ela acha que as bikes atraem tantos criminosos hoje por vários motivos, como preços e por serem fáceis de transportar. “A pessoa corta o cadeado e sai andando na bicicleta”. Entre as várias histórias de bikes furtadas que Elisa conhece, ela destaca a de uma mulher que guardava duas “magrelas” na garagem de casa. Algum tempo depois, o mecânico que fazia a manutenção dessas bicicletas estava em uma loja especializada no Centro de BH quando dois menores entraram com as bikes. Aí, a polícia foi chamada e a dona acabou recuperando os bens. Caso raro, segundo ela.