Empregar mão de obra de presos e contribuir para a preservação do meio ambiente são alguns dos benefícios do galpão de reciclagem de lixo eletroele-trônico, inaugurado na última semana, no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Para o local, serão enviadas, semanalmente, quatro toneladas de material, entre computadores, televisores, estabilizadores e outros tipos de equipamentos.

A nova frente de trabalho para os presos do Ceresp já está funcionando, graças à parceria estabelecida entre a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) e a E-Ambiental, uma empresa comprometida com o conceito de desenvolvimento sustentável, voltada para a reciclagem, reutilização e restauro de equipamentos sucateados.

O superintendente de Trabalho e Ensino da Seap, Guilherme Augusto Alves Lima, considera o início das operações de reciclagem um grande exemplo da diversidade de atividades que podem ser executadas dentro de uma unidade prisional.

“Além disso, consolida o trabalho sério que vem sendo realizado por todos os servidores da unidade prisional. Mostra também que Minas Gerais realiza ações para humanizar o Sistema Prisional, ofertando às pessoas reclusas uma oportunidade de aprender uma profissão”, destaca.

Remição de Pena

Inicialmente, três detentos realizarão as atividades, mas com o aumento da quantidade de equipamentos coletados e recebidos, o número de presos pode chegar a 15. Eles terão direito à remuneração – 3/4 do salário mínimo–- e remição de pena, ou seja, para cada três dias de trabalho, um a menos no tempo de sentença.

Para o detento Leonardo Bruck Silva, 24 anos, a formação técnica em Automação Industrial pelo Senai será bastante útil na reciclagem do lixo eletrônico. “Desde que ingressei no Ceresp aguardava por uma oportunidade de trabalho, e esta chegou com significado especial. Além da remição, também vou ajudar a preservar o meio ambiente”, revelou.

Um dos sócios da empresa E-Ambiental, Thiago Willian da Cunha, ressalta que ações sociais e ambientais devem andar sempre juntas. “Temos um projeto de oferecer cursos de informática para os presos, com a utilização de computadores ainda em condições de uso, que chegam à nossa empresa. Muitas vezes, uma máquina já não atende um determinado usuário, mas pode ser útil para outro”.

Peças são separadas por código de cores e por itens de maior valor de mercado

Ferramentas simples são utilizadas para a desmontagem e separação dos componentes, como parafusadeiras, alicates, martelos e chaves diversas. Tudo é classificado e depositado em tambores de cores diferentes e adesivados: cobre, placa marrom, placa verde, alumínio, ferro, cobre e plástico.

Desta forma, a montanha de quatro toneladas dos mais diversos equipamentos, muitos deles em desuso, como aparelhos de fax e televisores com enormes tubos de imagem, vai diminuindo.

As placas verdes e marrons concentram os itens de maior valor de mercado e são exportadas para os Estados Unidos, Canadá e Israel, pois no Brasil ainda não há empresas preparadas para lidar com esse material.

Leandro Silva Medeiros, outro sócio da empresa parceira, avalia o trabalho dos presos como um processo de aprendizagem e aperfeiçoamento. “Quando eles ganharem a liberdade terão conhecimento em reciclagem de eletrônicos, além de montagem e reaproveitamento de computadores. A ação contribui para a reintegração social dos internos e todas as pessoas podem colaborar, doando eletro-eletrônicos que não utilizam mais, e que serão muito bem-vindos”.

O diretor-geral do Ceresp, Alexandre da Cunha Silva, chama atenção para um caráter mais amplo da parceria, como a conscientização dos problemas ambientais para outros públicos, como familiares de presos, servidores e moradores do bairro e região no qual funciona a unidade prisional. “Vamos instalar com a empresa parceira postos de coleta de lixo eletrônico. Isto significa transcender a oferta de trabalho para os presos”.

Outras frentes

A unidade prisional mantém outras frentes de trabalho, como a costura de meias para as Forças Armadas, cerca de 8.000 dúzias por mês, e uma fábrica de cuecas, com uma produção de aproximadamente 4.400 dúzias por mês. Nas duas atividades, trabalham uma média de 30 presos. O Ceresp conta ainda com 150 presos atuando na limpeza, manutenção e entrega de marmitas na área carcerária.