No interior dos ônibus, o volante é preso com pedaços de esparadrapo e não há suporte para o extintor de incêndio. Faltam lixeiras e alguns assentos estão danificados. Do lado de fora, a lataria está amassada, os para-choques quebrados e os desgastados pneus dão os primeiros sinais da necessidade de troca.

O transtorno causado pela precariedade de coletivos das linhas 101 (Aglomerado Santa Lúcia), 201 (Morro das Pedras), 203 (Morro das Pedras/Ventosa) e 321 (Olhos d’Água/Pilar) é amplamente democrático. Motoristas e passageiros sofrem com as irregularidades dos micro-ônibus gerenciados pela Auto Omnibus Nova Suíssa.

Durante toda a tarde de ontem, a equipe do Hoje em Dia andou em algumas linhas, percorreu itinerários e conversou com usuários e condutores. “Não há manutenção no micão (micro-ônibus). Alguns veículos estão caindo aos pedaços”, denuncia um motorista, após ter a garantia de que o nome dele não seria revelado.

Jeitinho

O descaso com os ônibus é tanto que um item obrigatório de segurança, conforme determina a legislação, oferece risco de acidente. Sem o suporte no interior do coletivo, um extintor de incêndio foi “acomodado” atrás do banco do motorista.
Segundo o diretor de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte, Carlos Henrique Marques, a maior parte das reclamações registradas na entidade é sobre a precariedade dos veículos.
“O problema é relacionado, sobretudo, à falta de veículos reservas por parte das empresas. Um mesmo carro roda por um período longo e sem a devida manutenção”, diz.

Até o fechamento desta edição, a BHTrans não havia informado quais e quantas linhas são gerenciadas pela viação Nova Suíssa. O balanço das reclamações e de possíveis multas aplicadas contra a empresa também não foi divulgado. A Auto Omnibus Nova Suíssa foi procurada, mas não se posicionou.

*Com Patrícia Santos Dumont