O vice-presidente do país, Hamilton Mourão, afirmou nessa quarta-feira (13) que o massacre em Suzano (SP) pode ter ocorrido devido à influência negativa de videogames violentos na formação de crianças e adolescentes, momento em que também afirmou que faltam atividades educativas para esse público no Brasil. O assunto é complexo e não há consenso nas literaturas psiquiátricas e psicológicas sobre a suposta relação de influência entre o brinquedo tecnológico e o comportamento agressivo de um jovem. 

Para Paulo Marcos Brasil, professor de psiquiatria da infância e da adolescência do Departamento de Saúde Mental da UFMG, apesar de não haver forma objetiva de diagnóstico, pode-se afirmar que existe aumento de vulnerabilidade, sobretudo em casos específicos. "Em um adolescente que já manifesta previamente problemas comportamentais nesse sentido - como impulsividade, descontrole do impulso agressivo e hostilidade nos relacionamentos interpessoais - a exposição excessiva a atividades agressivas, sejam elas tecnológicas ou não, pode agravar o quadro". 

Segundo ele, é importante destacar que o estímulo pode ser digital (como o vindo de um videogame) ou analógico, como o contexto de vida em região de violência urbana acentuada ou o convívio em ambiente familiar agressivo.

A vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), Stela Maris, relembra que inexiste consenso na literatura sobre o assunto. No entanto, afirma que, muitas vezes, é mais fácil culpar os jogos violentos do que refletir sobre o real problema. "Difícil é pensar nos problemas das políticas do sistema educacional".

Nesse sentido, Stela Maris relembra que, há 19 anos, se arrasta na Câmara dos Deputados um projeto de lei que propõe a introdução de profissionais da psicologia e/ou do serviço social no quadro de cada escola brasileira. De autoria de José Carlos Elias (PTB/ES), o PL 3688/2000 é apontado pela psicóloga como um grande aliado no combate à violência escolar. 

"O psicólogo na escola previne casos como o que vimos em São Paulo à medida que esse profissional desenvolveria trabalhos coletivos de escuta e orientação, situações muitas vezes impossíveis de serem feitas em função de sala cheia e de professores sobrecarregados", disse. 

Excesso

O Gaming Disorder (transtorno do jogo, em tradução livre) foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018 como uma condição de saúde mental. A definição foi incluída no manual de patologias que serve de parâmetro para o trabalho de médicos do mundo todo. O termo faz parte da 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID).

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