Enquanto taxistas de Belo Horizonte alegam prejuízos com o uso da plataforma Uber (aplicativo que oferece serviço de transporte privado individual), há pessoas que investem em uma nova profissão: motorista conveniado ao app. Profissionais liberais, servidores públicos e com formação superior têm trocado carreiras promissoras para ganhar as ruas e avenidas da capital.

Para a maioria, o principal atrativo está na rentabilidade: por mês, o lucro médio pode chegar a R$ 7 mil. O valor pode ser ainda maior se levadas em consideração as horas de trabalho. O advogado Paulo de Oliveira, de 36 anos, concilia ações judiciais com o volante. “Aliei o prazer de dirigir com o lucro significativo. O aplicativo oferece tratamento diferenciado e de qualidade”.

O Uber está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, no Brasil, e em 300 cidades ao redor do mundo. Na capital mineira, somente nesta quarta-feira (20), durante protesto realizado pelos taxistas da cidade, que são contrários ao aplicativo, a plataforma recebeu o triplo da quantidade de pessoas em BH buscando tornar-se parceiras do Uber.

Experiências

Cinco anos trabalhando como taxista na capital, Rodrigo Leonardo Silva Ferreira, de 37 anos, é um dos motoristas que engrossa a lista de empreendedores. “O que me chamou atenção foram o retorno financeiro e a segurança. Não pensei duas vezes na hora de optar pelo transporte”.

A segurança de uma carteira profissional registrada não foi suficiente para manter o jornalista Kaio César Miranda, de 26 anos, atuando na área. “Não tinha perspectiva de crescimento nem de melhorar financeiramente dentro da minha carreira. Aqui, realizo a função que me dá prazer e conquisto um conforto financeiro significativo”, conta.

Há dois meses trabalhando atendendo ao Uber, a motorista Andreia Silva Cruz, de 36 anos, está entre os adeptos ao programa. “Uma oportunidade de ser empreendedora com a possibilidade de fazer meus horários e alcançar metas”. Andreia, que já trabalhou com transporte de peças para indústria automobilística acredita que o novo modal veio para ficar.

Estrutura

Mas não basta investir em um carro luxuoso para angariar clientela pelas ruas e avenidas da capital. Segundo os representantes do aplicativo em Minas, é necessário passar por uma checagem de antecedentes criminais em níveis federal e estadual, possuir carteira de motorista que permite exercer função remunerada e ter um carro sedan de luxo, com seguro para passageiro.

Apesar do retorno financeiro garantido, os gastos são elevados. Ar-condicionado, banco de couro, água mineral, guloseimas e até revistas são alguns dos mimos oferecidos para clientes.

Está em tramitação na Câmara de BH projeto que proíbe o uso de carros particulares no transporte remunerado.