Gargalos nas rodovias mineiras precisam de pelo menos R$ 10 bilhões para serem sanados

Tatiana Lagôa
tlagoa@hojeemdia.com.br
07/11/2017 às 20:36.
Atualizado em 02/11/2021 às 23:35
 (CNT/DIVULGAÇÃO)

(CNT/DIVULGAÇÃO)

Apenas 30% das rodovias federais e estaduais que cortam o Estado estão em condições boas ou ótimas, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Para acabar com os gargalos nos mais de 15 mil quilômetros analisados, pelo menos R$ 10 bilhões em investimentos deveriam ser aplicados. 

Por aqui, só 4.550 quilômetros não apresentaram nenhuma deficiência. Outros 10.526 tiveram em maior ou menor grau falhas no pavimento, sinalização ou geometria da via. O maior problema encontrado foi no traçado: 88,9% das rodovias têm pista simples de mão dupla.

O levantamento mostra, ainda, que 88,3% das estradas mineiras estão desgastadas, com trincas, remendos, destruídas ou esburacadas. Além disso, faixas e placas não estão visíveis ou simplesmente não existem em vários trechos. Defeitos que, para serem eliminados, demandariam investimentos bilionários. Apenas para corrigi-los seriam R$ 9,2 bilhões. Já para a manutenção das que estão em boas condições, mais R$ 840 milhões.

“As estradas estão com capacidade esgotada e precisam ser duplicadas. Minas tem a maior malha rodoviária do país” (Márcio Aguiar, especialista em trânsito)

Brasil

Em todo o país, foram analisados 105.814 quilômetros de rodovias. Na média nacional, 38,2% foram consideradas em bom ou ótimo estados. Comparado com a pesquisa de 2016, os números estão piores. No estudo passado, 41,8% das vias que cortam o país tinham boa qualidade. Em Minas, as estradas com melhor trafegabilidade somavam 38,2% do total pesquisado, passando, agora, para 30%.

iretor-executivo da CNT, Bruno Batista afirma que a queda na qualidade das rodovias é uma realidade de todos os estados brasileiros e tem uma série de explicações. A principal é a redução nos investimentos em infraestrutura. 

Dificuldade financeira das empresas que administram as vias concedidas é outro fator a ser considerado, o que reflete na qualidade das que estão sob a iniciativa privada. “Muitas delas estão, inclusive, entregando as concessões, como é o caso da BR-040 que deve ser licitada novamente”, frisa Batista.

Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que os números refletem a “variação de investimentos entre 2015 e 2016, que implicou em significativa diminuição no orçamento destinado às obras nas rodovias federais em Minas”.

O Departamento de Edi-ficações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG) informou ter investido, neste ano, R$ 295 milhões em transportes, infraestrutura, obras e instalações. Em 2016, foram R$ 472,8 milhões. “Quanto à qualidade das rodovias estaduais, com os esforços empreendidos pelo DEER-MG nos últimos três anos, a situação da rede estadual tem se mantido estabilizada”, enfatizou o órgão em nota. 

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Condições das rodovias refletem no aumento de acidentes e até no custo do transporte

Segundo a CNT, apenas em 2016 foram gastos R$ 10,8 bilhões com os 96.362 acidentes registrados no país. Número leva em conta o valor gasto com vítimas, perdas materiais e perdas de cargas. O montante é maior que os R$ 8,61 bilhões investidos em melhorias e manutenção nas rodovias no ano passado. 

A instituição não estimou o valor desembolsado em Minas. Porém, dados da Polícia Rodoviária Federal apontam 14.319 acidentes no mesmo período nas estradas federais que cortam o Estado, com 822 óbitos.

“O dano é grande porque não afeta só a trafegabilidade ou apenas traz prejuízos. Coloca a população em risco e gera perda de vidas”, afirma o especialista em trânsito Márcio Aguiar.

Gastos

Além disso, o custo do transporte de cargas e passageiros no Brasil sofreu acréscimo, conforme a CNT, de 27%. No Estado, a alta foi de 32,4%. “Tem um desgaste maior do carro, gasto maior com combustível, dentre outros”, afirma o diretor-executivo do órgão, Bruno Batista. 

Consultor de Relações com o Mercado do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Minas Gerais (Setsemg), Luciano Medrado observa que as condições das vias forçam aumento no frete cobrado e tornam o serviço lento. “Sem contar que os caminhões ficam mais tempo retidos e acabam sendo assaltados com maior frequência”, afirma. Segundo ele, 1.521 roubos a carga foram registrados nas estradas mineiras em 2016.

“As rodovias concedidas estão tão ruins quanto as públicas. Aliás, ainda piores, porque estão com canteiros de obras sem terminar” (Luciano Medrado, consultor Setsemg)

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