A garota de 14 anos que foi vítima de uma sessão macabra de tortura e agressões está recebendo acompanhamento psicológico no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, onde continua internada nesta quarta-feira (27). Ela foi apanhou brutalmente de seis pessoas, no bairro Taquaril, na região Leste de Belo Horizonte, porque havia a suspeita de que a jovem estaria roubando os moradores de uma residência, onde ela estava hospedada. De acordo com a assessoria do HPS, a jovem respira sem auxílio de aparelhos e o estado dela é considerável estável. Uma equipe de psicólogos acompanha a jovem devido ao trauma sofrido a partir das agressões.

A vítima mora em Itaúna, no Centro-Oeste Mineiro, e teria fugido de casa na última sexta-feira (22) por estar cansada das agressões que sofria dos pais, conforme os policiais do 22º Batalhão da Polícia Militar. 

O ataque ocorreu nessa segunda-feira (21) quando o grupo espancou e obrigou a menina a beber gasolina. Em seguida, ela pulou em um matagal para não morrer. Depois de escapar dos agressores, a jovem caminhou até a rua Adelino de Assis, no bairro Jonas Veiga e pediu ajuda a um morador. Os autores da sessão macabra de tortura foram presos nessa terça-feira (26).

Entenda o crime

Aos policiais, a jovem contou que fugiu por estar cansada de apanhar dos pais. Em Belo Horizonte, ela teria feito amizade com uma adolescente, de 16 anos, que a convidou para morar com ela. Após ficar três dias hospedada na residência da nova amiga, a dona da casa começou a desconfiar que a vítima estava roubando objetos. Para obrigá-la a jovem a confessar os furtos, a mulher começou a sessão de tortura.

Com a negativa da garota, os agressores arrancaram os cabelos com vários objetos. Segundo os policiais, um machadinho, uma faca, uma tesoura e até uma lâmina de barbear foram usados pelos torturadores. Em seguida, a adolescente foi colocada em um carro e levada para um matagal,  onde continuaram batendo nela. Lá, a jovem foi obrigada a beber gasolina e teve o corpo molhado com o líquido sob a ameaça de que colocariam fogo no local.

Bastante ferida, a jovem aproveitou um descuido dos agressões e correu para dentro do matagal, tentando fugir e acabou caindo em uma ribanceira. Quando a garota percebeu que o grupo havia abandonado o local, saiu do matagal e procurou socorro. Os policiais foram até a casal onde ela recebeu ajuda e com as informações repassadas pela vítima e conseguiu localizar os suspeitos.

No imóvel, os militares ouviram os agressores dando risadas e contando detalhes da tortura. Foram presos John Lennon dos Santos Martins, 22, Isac Brendon Oliveira Camargos, 19, Renata Arruda Campos Martins, 36, Gustavo Barbosa Constantino, 18. Além deles, duas adolescentes de 16 anos foram apreendidas.

Uma bolsa com os cabelos da vítima e objetos utilizados nas agressões, além de roupas da garota, foi apreendida na residência. Os suspeitos foram levados à Delegacia de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (DopCad). (*) Com Rosildo Mendes.