Belo Horizonte registrou aumento de 22% nos maus-tratos a animais. No primeiro semestre deste ano, 104 crimes foram cometidos. Os recorrentes atos de covardia também podem estar ocorrendo em um dos principais cartões-postais da cidade. Denúncias dão conta de que os gatos do Parque Municipal têm sido torturados até a morte nos últimos dias.

A informação foi dada por frequentadores e voluntários que tratam dos felinos na área verde e até um servidor e um agente da Guarda Municipal que trabalham no local. A prefeitura da capital confirmou as mortes. A situação motivou a convocação de uma audiência pública na Câmara de Vereadores, em 20 de agosto. 

Em BH, no primeiro semestre de 2019, foram 104 maus-tratps a animais; no mesmo período do ano passado, 85

O ponto turístico é conhecido pela intensa presença de gatos. Ontem, só na portaria da rua da Bahia, o Hoje em Dia contou cerca de 30 animais em meio aos jardins. Pessoas que fornecem alimentação, água e medicamentos aos bichos, no entanto, estimam que o número chegue a 300.

Uma mulher que vai ao parque diariamente, para tratar os felinos, garantiu que três foram encontrados mortos, com sinais de violência, na semana passada. Eles foram deixados próximo ao acesso da rua da Bahia. “A gente fica triste, chora. Nós dedicamos tempo, carinho. Por mês, gasto quase R$ 1 mil só comprando ração”, contou a voluntária, que pediu para não ser identificada.

Alternativas

Outra pessoa chegou a suspeitar dos moradores de rua, que constantemente estão no local, mas a versão foi fortemente rebatida. “Isso não acontece, eles (sem-teto) gostam de ficar deitados, não causam problemas”, assegurou uma funcionária. “Recolhi um que estava bastante machucado, com feridas abertas. É muita maldade, não sei porque fazem isso”.

Educadora ambiental, Giovana Fraga, de 45 anos, integra o grupo que pediu a reunião no Legislativo. “Essa situação não pode continuar. Os gatos são tratados, vacinados, bem cuidados, não fazem mal a ninguém. Às vezes, uma solução pode ser colocar câmeras para saber quem está fazendo isso”, destaca. 

A Guarda Municipal informou que a Patrulha Ambiental atua na garantia do respeito à lei que protege os bichos, “por meio da fiscalização das ações dos usuários, bem como da orientação à população”.

A Polícia Militar disse que o Batalhão de Meio Ambiente não foi notificado sobre os crimes. Porém, irá se reunir com a Guarda para traçar estratégias de combate. A corporação pede às pessoas que denunciem os casos por meio dos telefones 181 e 190. 

Responsável pelo manejo e castração dos gatos que vivem no Parque Municipal, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não deu detalhes do trabalho que está sendo feito.

Principais vítimas

Conforme a coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos dos Animais, Adriana Araújo, as principais vítimas de violência são cães, gatos, cavalos, coelhos e aves. “A gente percebe atos de covardia com requintes de tortura, como pauladas, pedradas, queimaduras, degolamento e atropelamento intencional”.

A especialista aponta a mudança de comportamento e a conscientização da população como fatores importantes para barrar as ocorrências. “A causa animal nunca teve tanta visibilidade em instituições públicas, mas ainda é preciso a integração com a sociedade”.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que, “por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, já está investigando a causa das mortes dos gatos no Parque Municipal”. O número de óbitos ainda é desconhecido.

Com Marília Mesquita