Dois trabalhadores de Belo Horizonte que comprovaram ter passado por situações constrangedoras dentro das empresas em que trabalhavam serão indenizados. Um deles é um gerente que irá receber R$ 50 mil de uma grande rede de supermercados, porque devia se submeter a uma “torta na cara” toda vez em que não atingia as metas exigidas.

Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, o empregado ainda era obrigado a participar do "grito de guerra" da empresa, dançando e rebolando na frente dos clientes.

Para o juiz Geraldo Magela Melo, em atuação na 36ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, a empresa agiu de forma extremamente abusiva, extrapolando os limites de tolerância e razoabilidade quanto à cobrança de metas. Ele entendeu que a empresa submeteu o gerente a constrangimentos e humilhações e, por isso, o funcionário deve receber por danos morais.

Foca

Outro caso relatado pelo TRT da 3ª Região foi da gerente comercial de uma empresa de material didático de Belo Horizonte que tinha de imitar uma foca quando não cumpria as metas de produtividade. De acordo com a trabalhadora, a empresa utilizava dinâmicas de grupo para cobrar produtividade e quem estava abaixo do estabelecido era obrigado a imitar sons de animais.

Para o juiz Nelson Henrique Rezende Pereira, da 41ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, os gestores da empresa não atuavam com respeito. Segundo ele, a medida "era incompatível com o ambiente de trabalho, acarretando sentimento de humilhação ou mácula à imagem e honra do empregado". Ele determinou que ela seja indenizada em R$ 15 mil.