Ao admitir que os preços praticados por alguns comerciantes do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (Região Metropolitana de Belo Horizonte), são, de fato, acima do mercado, o representante BH Airport, concessionária responsável pela gestão do terminal, afirma que medidas estão sendo tomadas para reduzir a diferença. A explicação foi dada a deputados da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em audiência pública realizada nesta quinta-feira (2) para obter esclarecimentos sobre os preços exorbitantes de bebidas, comida e estacionamento praticados no aeroporto.
 
O relações institucionais da BH Airport, Guilherme Motta Gomes, afirmou que os contratos atualmente vigentes foram “herdados” da Infraero, sem cláusulas de regulação de preços. Ele reconhece que algumas lojas oneram entre 15% e 20% os preços em relação a outros lugares de Belo Horizonte. Mas, segundo ele, já estão em andamento licitações para ocupação dos espaços e os novos contratos, que devem estar em vigência até novembro, exigirão dos comerciantes a prática de preços compatíveis com o mercado geral.
 
Outra estratégia da concessionária, de acordo com Guilherme Gomes, é ampliar a diversidade de produtos para estimular a concorrência e, naturalmente, pressionar a redução dos preços. Guilherme Gomes afirmou também que estão sendo realizadas negociações com os comerciantes atuais para que sejam oferecidas promoções diárias.
 
Sobre os preços do estacionamento, o representante da administradora apresentou uma tabela com os valores em Confins, inferiores aos praticados na maioria dos aeroportos brasileiros. No terminal, o valor da hora é R$ 8 e da diária, em média, R$ 40, variando com o local escolhido. No Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, os valores são, respectivamente, R$ 10 e R$ 50; no Galeão (Rio de Janeiro), R$ 14 e R$ 61; em Guarulhos (São Paulo), R$ 12 e R$ 45; e, em Brasília, R$ 10 e R$ 36.
 
Uma opção oferecida pelo Aeroporto de Confins para fugir dos preços altos das lojas são as máquinas automáticas que, segundo Guilherme Gomes, apresentam valores razoáveis. Entre os exemplos apresentados, a garrafa de 500 ml de água mineral custa R$ 3; refrigerante lata, R$ 4; suco, R$ 4; sanduíche, R$ 8; e café expresso, R$ 2. Ele afirma que existem máquinas colocadas em 15 pontos diferentes do terminal.
 
Deputados querem mais explicações
 
Os deputados que acompanharam a audiência pública mostraram muita indignação com a diferença de preços entre o comércio em Confins e em outros pontos da Capital. O deputado Douglas Melo (PSC), um dos autores do requerimento para o debate, afirmou que os preços ultrapassam até os praticados em shoppings, normalmente já superiores às lojas de rua. Douglas Melo citou vários exemplos que considera exagerados: água mineral a R$ 5,90; refrigerante, R$ 6,80; suco, R$ 7,50; e sanduíche natural a R$ 14. "Não encontro argumentos plausíveis para explicar esses preços”, criticou.
 
O presidente da comissão e também autor do requerimento para a reunião, deputado Elismar Prado (PT), defendeu a importância de conhecer as cláusulas dos contratos. Também assinaram o pedido para a audiência pública os deputados Sargento Rodrigues (PDT) e Noraldino Júnior (PSC).
 
Noraldino Júnior questionou se o que provoca os preços são os altos custos dos lojistas; ou se os comerciantes se aproveitam da distância do aeroporto para onerar os valores. “Os consumidores são obrigados a arcar com preços exorbitantes. É uma covardia”, desabafou. Para o dpeutado Roberto Andrade (PTN), é preciso equacionar o problema para proteger os usuários do terminal.
 
O gerente-geral do Procon Assembleia, Marcelo Rodrigo Barbosa, sugeriu fazer uma pesquisa para comparar os preços praticados no aeroporto com lojas em shoppings e no centro de BH. Segundo ele, se for demonstrada a prática abusiva, os comerciantes podem ser processados. “Precisamos entender a composição do preço para avaliar se há abuso”, ponderou.
 
Justificativa
 
O administrador do Royal Park Estacionamentos, Ronan Afonso, convidado para a audiência pública, encaminhou uma justificativa por sua ausência. Segundo diz no ofício, a empresa é responsável apenas pela cessão de mão de obra para o serviço e os preços são definidos pela administrador BH Airport. Por isso, entendeu que não poderia contribuir para o debate.
 
(* Com ALMG)