O apelo emocional dos bandidos, a falta de conhecimento e até a ganância das vítimas ajudam a explicar uma estatística criminal que não para de crescer. A cada dia, 125 mineiros são enganados por estelionatários. Só no primeiro semestre deste ano foram mais de 22 mil golpes, número 22% maior na comparação com o mesmo período de 2018. Os delitos, sobretudo os virtuais, desafiam as forças de segurança.

O caso mais recente, que provocou enorme comoção, envolve o pai de uma criança de 1 ano. A família arrecadou pela internet R$ 1 milhão para o tratamento do garoto, que tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença rara que atinge a coluna vertebral. O homem de Conselheiro Lafaiete, na região Central, foi preso em Salvador, na Bahia, gastando o dinheiro. Caso, porém, é considerado “exceção”.

Porta-voz da Polícia Militar, o major Flávio Santiago orienta as pessoas a sempre se certificar antes de ajudar. “Em campanhas on-line, o ideal é ter contatos confiáveis sobre os autores e, dessa maneira, validar que se trata de algo verídico”, alerta o militar.  

“Em alguns golpes, existe a lógica da confiança, quando a vítima, de fato, acredita estar ajudando.Já em outros, elas são enganadas porque são gananciosas” (Luís Flávio Sapori, sociólogo e especialista em segurança pública)

Tecnologia

Com os avanços tecnológicos, qualquer meio digital pode ser utilizado pelos criminosos. Chefe da Divisão Especializada em Investigação dos Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor, Guilherme da Costa Oliveira Santos explica que muitas armadilhas vem de propagandas irregulares.

Em muitos casos, acrescenta o delegado, as vítimas podem ser enganadas por meio do WhatsApp. “Seja em promoções falsas para roubar dados ou, até mesmo, na clonagem da conta para retirar o dinheiro da pessoa”.

A jornalista Cristina Ribeiro, de 50 anos, quase caiu em um desses. No último sábado, recebeu mensagem de uma pessoa que dizia ser a diarista dela, solicitando uma transferência urgente para sanar dívidas. “Inicialmente, fiquei aflita para resolver um problema que teria condições de ajudar. Era alguém de quem gosto e que trabalha comigo há mais de 25 anos”, lembra.

No entanto, ao começar a fazer perguntas que somente a faxineira conseguiria responder, desconfiou tratar-se de golpe. “Só fiquei completamente sossegada quando ela chegou na minha casa e confirmou que não tinha conhecimento daquilo”.

Combate

Especialista em segurança pública, Luís Flávio Sapori atribui o aumento ao desenvolvimento de novas tecnologias. Para ele, apesar de facilitar as relações e a vida em sociedade, a internet abre brechas para esse crime. “Para enfrentar esse novo cenário é importante que as forças policiais se atualizem, conheçam os golpes mais frequentes e não agir apenas de maneira reativa. É preciso monitorar”.

De acordo com a Polícia Civil, a corporação se moderniza “constantemente” para combater esses delitos. “Contudo, por uma questão estratégica e de segurança pública, não são fornecidos detalhes dos recursos e ferramentas utilizadas”, disse.

Estelionato

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