Uma mulher é suspeita de tentar vender ao governo de Minas Gerais testes sorológicos para Covid-19 que sequer existiam. Conforme apurou a Polícia Civil de Minas Gerais por meio da operação “Med Teste”, a investigada teria oferecido a uma servidora pública uma propina para ser aprovada em um pregão destinado a compra de testes rápidos. A proposta da suposta estelionatária seria de vender 1 milhão de testes por R$ 134 por unidade – ou seja, poderia causar prejuízo aos cofres públicos em R$ 134 milhões se o golpe fosse bem-sucedido.

Segundo o delegado Gabriel Ciríaco, a investigação teve início após a servidora procurar a Controladoria Geral do Estado para denunciar a tentativa de corrupção ativa. Mas após as apurações, verificou-se que se tratava de um crime de estelionato, pois a mulher se passava por representante de uma empresa internacional que fabrica testes, mas não há qualquer indício de que haja uma relação entre ela e o fornecedor. “Nossa linha de investigação está concluída em relação à corrupção ativa. Ainda estamos investigando essa tentativa de estelionato, em que ela se passa por representante comercial”, disse.

A suspeita chegou a morar em Belo Horizonte, mas se mudou para a capital paulista depois de aplicar golpes por meio de uma empresa de cerimonial. As vítimas eram formandos que a haviam contratado para a realização de festas de conclusão de curso.

Comissão

A mulher não foi presa e prestou depoimento. Ela mesmo teria confirmado que ofereceu para a servidora uma comissão de R$ 5 a R$ 8 por teste – ou seja, uma propina de pelo menos R$ 5 milhões. Para investigar o caso, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, na última sexta-feira (3), nas cidades de Goiânia e São Paulo, onde a suspeita teria atuação. “Ela não era representante da empresa internacional, o que nos deixa entender que estava tentando praticar um estelionato contra o Estado de Minas Gerais”, afirmou Ciríaco.

O delegado afirmou que a polícia já tem vários indícios para concluir o inquérito. “Encontramos diversos cartões, com várias contas bancárias, mecanismos de armazenamento diversos e também conseguimos recuperar a imagem da conversa, via aplicativo de mensagem, em que a investigada oferece propina para a servidora do Estado”, detalhou.