A Vale confirmou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) cancelou a autorização de funcionamento da barragem de Laranjeiras, na Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a maior da empresa em Minas Gerais, em função de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Em nota, a empresa informou também que foi determinada pela Semad a suspensão imediata da Mina de Jangada, por entender que a licença está unificada à da Mina Córrego do Feijão, local do rompimento da barragem em Brumadinho. Segundo a empresa, a Mina da Jangada já estava paralisada em consequência da paralisação da operação na região atingida pela tragédia.

No início da semana, a Vale já tinha informado a paralisação do depósito de rejeitos em diversas barragens, entre elas, a de Laranjeiras, que foi construída pelo método convencional e possui atestado de estabilidade vigente. A Vale entende, assim, que não existe fundamento técnico e jurídico ou avaliação de risco que justifique o cancelamento da Autorização Provisória para Operar  (APO).

De acordo com a empresa, a retomada das operações de Brucutu está condicionada à revogação da decisão liminar da ACP e à concessão de autorização ou licença para operação da barragem de Laranjeiras.

A empresa reitera que o cancelamento da APO tem um impacto estimado de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Vale informou ainda que vai recorrer da decisão. 

Ações

A partir das 16h, as ações da Vale ingressaram em um movimento de forte queda diante do noticiário negativo. Ao fim do pregão, os papéis da mineradora fecharam em baixa de 4,88%, cotados a R$ R$ 42,46, na mínima do dia. A queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa, foi de 3,74%.

 

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