Está aberto ao público o espaço cultural da Fazenda Boa Esperança, em Belo Vale, na região Central de Minas Gerais, a 82 km de Belo Horizonte. A Fazenda Boa Esperança é um dos mais conhecidos exemplares da arquitetura rural mineira e estava fechada para restauração desde 2017, como parte do processo de ocupação cultural do patrimônio pelo projeto Refazenda, parceria entre o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e Instituto Inhotim.

O público terá acesso a uma exposição com informações sobre a ocupação do território em que a Fazenda está inserida, suas características econômicas e produtivas, sua arquitetura e seu cotidiano. O altar-mor e algumas peças da capela, atribuída ao artista João Nepomuceno e ainda em restauração, também estarão expostos.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, o bem cultural reaberto à visitação pública significa muito para a comunidade de Belo Vale. “É uma importante etapa para a consolidação de um projeto de apropriação e fruição dos conteúdos de patrimônio que o espaço abriga”.

Ela destaca, ainda, o resgate simbólico da Fazenda para a comunidade. “O investimento não apenas na recuperação física do espaço, mas no projeto expositivo, educativo e receptivo para visitação possibilita a ressignificação do bem cultural. Além disso, traz a Fazenda para uma centralidade local e regional, considerando seu potencial turístico e de ocupação pelos coletivos de cultura de Belo Vale”, ressalta a presidente do Instituto.

"A reabertura da Fazenda Boa Esperança possibilita que a comunidade se aproprie e usufrua de um patrimônio que é dela. O espaço também será importante para a retomada do desenvolvimento econômico da região, ao lado de outros circuitos turísticos próximos", afirma o secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Marcelo Matte.

Patrimônio cultural

Inaugurada em 1822, ano da independência do Brasil da coroa portuguesa, a fazenda tem a edificação da casa sede protegida por tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1959, e foi adquirida pelo Governo do Estado de Minas Gerais em 1974, um ano antes de também ser tombada pelo Iepha-MG.

Durante o período em que pertenceu ao Barão de Paraopeba, foi elemento central de um complexo produtivo que abarcava outras Fazendas, também de propriedade da família Monteiro de Barros. Além da produção agrícola, que contribuía para o abastecimento do Vale do Paraopeba, Ouro Preto e Barbacena, eram produzidos fios, roupas e ferramentas. A propriedade ainda chegou a abrigar mais de 800 escravos que, de acordo com relatos, viveram na Fazenda e seus descendentes teriam dado origem a pequenas comunidades no entorno, entre elas a “Boa Morte” e “Chacrinha dos Pretos”.

A casa da fazenda foi construída em estrutura autônoma de madeira sobre fundações de pedra, com vedações em pau-a-pique e forros em esteiras de taquara. Sua varanda abriga uma capela, cujo padroeiro é o Senhor dos Passos, com retábulo que preserva trabalhos ornamentais apurados em talha e pinturas com características do estilo rococó.

Teto e paredes da capela são revestidos por painéis cuja pintura é atribuída a João Nepomuceno, discípulo de mestre Ataíde, e que representam cenas do Evangelho, como a Anunciação de Nossa Senhora, a Adoração dos Pastores, o Sacrifício de Isaac e a Santa Ceia.

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