A greve dos caminhoneiros que transportam combustíveis, os chamados tanqueiros, continuará neste sábado (26) em Minas Gerais e por tempo indeterminado. A afirmação é do sindicato da categoria. A paralisação iniciou nessa quinta e causou longas filas de veículos nos postos nesta sexta em Belo Horizonte.

"A greve continua. A gente precisa que o governo [de Minas] dê uma posição. Na reunião de segunda-feira (22), eles disseram que não dava para fazer nada. A gente vai continuar com os braços cruzados", afirmou Irani Gomes, presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (SindTaque).

Conforme estimativa do SindTaque, pelo menos 2 mil dos cerca de 3,5 mil profissionais representados pela entidade aderiram à greve, que causou grandes transtornos aos motoristas e ao trânsito nesta sexta-feira de chuva na capital mineira.

A categoria reivindica a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, de 15% para 12%. O Estado já informou que não consegue abaixar o tributo no momento.

Nesta tarde, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) informou em nota que, caso a greve permaneça nas próximas horas, "certamente haverá falta de produtos em grande parte dos postos de combustíveis do Estado".

Segundo o Minaspetro, vários postos já sentem os efeitos da greve, com dificuldades para fazer pedidos juntos às distribuidoras de combustíveis e abastecer os caminhões próprios nas bases.

Nesta sexta, a situação afeta, principalmente, o abastecimento dos postos de combustíveis da Região Metropolitana de BH, incluindo cidades que realizam o carregamento nas bases próximas à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim.

Transtorno

O motorista de aplicativo Pablo Henrique França, de 39 anos, conta que ficou cerca de 45 minutos na fila no fim da tarde desta sexta para conseguir encher o tanque do veículo com etanol em um posto da avenida Tereza Cristina, no bairro Carlos Prates, na região Oeste de BH.

Ele mora ao lado de um posto de combustíveis e notou que, após o horário do almoço, as filas ficaram muito grandes. "Tem um boato que vai ter uma greve e vai faltar combustível. Se faltar, eu perco minha fonte de renda", relatou o profissional, que atua nesse mercado há um ano.

O pintor Francisco Feitosa de Brito, de 58 anos, esperou 30 minutos para conseguir abastecer. Ele também encheu o tanque de álcool e gastou R$ 149. "Preço tá horrível, tá muito caro, e dizem que vai aumentar de novo na segunda-feira (1º)", afirmou.

O profissional contou que precisa do carro para se deslocar de casa, em Betim, na Grande BH, até o trabalho, no Caiçara, na região Noroeste de BH.

Estado 

O governo de Minas voltou a afirmar, em nota, que as recentes mudanças no preço dos combustíveis não são em função do ICMS, e sim da política de preços praticada pela Petrobras.

"O Estado reafirma seu compromisso de não promover o aumento de nenhuma alíquota de ICMS até que seja possível começar a trabalhar pela redução efetiva da carga tributária", informou.

No momento, ainda conforme o governo, a situação financeira do Estado e a Lei de Responsabilidade Fiscal exigem "uma compensação para aumentar receita em qualquer movimento de renúncia fiscal, o que não torna possível a redução da alíquota".

Em relação à manifestação dos tanqueiros na Cidade Administra nessa quinta-feira, o Estado esclareceu que "esteve disponível para ouvir as demandas dos tanqueiros, mas não houve pedido de reunião por parte dos manifestantes".

Sindicato varejista

O Minaspetro também afirmou, nesta sexta, que é solidário às demandas do SindTaque, mas entende que "este não é o momento para uma greve, principalmente pelo contexto geral da pandemia de Covid-19 e as dificuldades que a população e todo o setor produtivo enfrentam".

O Minaspetro pediu, em nota, que o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), "tenha sensibilidade com a população do Estado e recue na decisão de aumentar o ICMS dos combustíveis a partir de 1º de março, além de revisar imediatamente a tributação estadual sobre os combustíveis".