Os metroviários de Belo Horizonte decidiram, em assembleia na noite desta terça-feira (19), manter a greve sanitária programada para esta quarta (26), com a escala mínima determinada pela Justiça. A categoria reivindica a vacinação dos trabalhadores contra a Covid-19.

"A paralisação total está descartada, impedida pela tutela cautelar expedida pelo TRT", explicou Daniel Glória Carvalho, secretário-geral do Sindimetro-MG. 

A decisão foi tomada após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinar uma escala mínima com a circulação de 100% dos vagões nos horários de pico, das 5h30 às 10h e das 16h às 20h, e uma multa de R$ 30 mil por dia em caso de descumprimento.

O desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, que assina a decisão, reconhece que a paralisação anunciada “se justifica dada inércia da empresa e autoridades no início da imunização contra a Covid-19 da categoria, que é reconhecidamente prestadora de serviço essencial".

Porém, na sua argumentação, ele cita que, por lei, "é vedada a restrição à circulação de trabalhadores que possa afetar o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais, definidos como aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população".

Os funcionários do metrô anunciaram a greve em vários estados brasileiros para reivindicar a prioridade na vacinação contra a Covid-19. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) reconheceu que o pedido é válido, uma vez que o serviço é essencial e não parou durante a pandemia. No entanto, a entidade entrou com ação pedindo que a paralisação fosse totalmente suspensa.

Na capital mineira, de acordo com Sindimetro-MG, a inclusão dos empregados no público prioritário da imunização contra a Covid-19 foi discutida em reunião entre representantes dos funcionários e o prefeito Alexandre Kalil (PSD). "Ele se comprometeu a tentar, diante do Ministério da Saúde, conseguir mais doses com o novo lote da Pfizer que vai chegar ao município", disse o sindicalista.

Até o momento, segundo o sindicato, mais de cem empregados foram infectados pela doença, o que corresponde a 10% dos trabalhadores. Desses, quatro não resistiram às complicações da enfermidade e morreram. 

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