Uma força-tarefa constituída pelo Ministério Público de Minas Gerais, Receita Estadual e Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (22), a operação “Ponto sem nó”, que investiga suspeita fraude milionária e lavagem de dinheiro em uma famosa grife mineira do setor da moda.

Os alvos da ação são empresários, diretores e funcionários de uma marca de roupas femininas que tem sede na capital mineira e é conhecida no Brasil e no exterior. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra empresários, diretores e funcionários da marca em Belo Horizonte e Nova Lima, na região metropolitana.

Conforme a investigação, os suspeitos seriam responsáveis por executar um esquema estruturado e contínuo de sonegação de ICMS na comercialização de roupas e acessórios de luxo, causando prejuízo milionário aos cofres públicosas. Esse valor não foi divulgado pelo Ministério Público, que informou que fará o rastreamento do montante diante de uma análise. 

"O grupo movimenta, de fato, valores muito maiores do que os declarados. Com base nisso, existem indícios de ocultação de valores e ocultação de uma maneira ordenada. Ou seja, arquitetada para que realmente se pague menos tributo”, disse o Promotor de Justiça Rodrigo Storino. 

Ainda de acordo com o órgão, as fraudes investigadas consistiriam na venda de mercadorias sem a emissão de nota fiscal ou subfaturamento, quando é colocado nos documentos valores bem abaixo daqueles realmente pagos pelos clientes. Além disso, o gupo se organizou de modo fragmentado em pequenas empresas, algumas em nome de ‘laranjas’, com o objetivo de "enquadramento simulado no Simples nacional", o que beneficiaria os investigados com a diminuição ilícita desses tributos. 

Durante coletiva de imprensa, na manhã desta terça, o auditor fiscal da Receita Estadual, Francisco Lara, avaliou o fato de que a empresa não recolhia impostos “de acordo com o porte”, o que chamou a atenção do órgão. “Belo Horizonte é um polo da moda, né? E esse mercado movimenta no ano em torno de R$ 1,7 bilhão de movimentação econômica. E chamou a atenção o recolhimento da empresa no Simples nacional. Eles não estavam recolhendo de acordo com o porte”, afirmou. 

Durante a operação foram recolhidos documentos, além de computadores e celulares que serão analisados. Segundo o Ministério Público, a empresa detém nome “bastante conhecido no mercado”, e em 2019 foi adquirida por um grupo que administra outras marcas famosas nacionalmente. “A grife participa de importantes eventos de moda pelo país, com a participação de celebridades e influenciadores digitais para divulgação na mídia e em redes sociais”, concluiu.

A reportagem procurou a empresa citada na investigação e aguarda retorno.

(*) Com informações do MPMG

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