Dez pessoas que forneceriam drogas em Belo Horizonte e região metropolitana, a partir de um esquema que envolvia tráfico interestadual e lavagem de dinheiro, foram indiciadas pela Polícia Civil nesta quarta-feira (19). Três delas são de Minas e sete de outros estados. Um dos suspeitos chegou a movimentar mais de R$ 500 mil em apenas um mês. Três veículos foram apreendidos e três imóveis, incluindo sítios, sequestrados pela corporação.

De acordo com o inquérito, o principal investigado, um homem de 40 anos, foi preso em 2019 durante diligências da operação Slow, suspeito de ser o responsável pela distribuição de ilícitos em aglomerados de BH, como o Morro das Pedras, na região Centro-Sul. Ele, a companheira e o pai dele foram indiciados pelo uso de uma empresa de transportes como fachada para lavagem de dinheiro.

O esquema ilegal foi descoberto após apurações mostrarem que imóveis e veículos que estavam nos nomes dos investigados eram transferidos para cidades conhecidas por conexões com o tráfico internacional de drogas, como Campo Grande, Aquidauana e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e Guaíra, no Paraná. Os outros sete indiciados, de outros estados, apareciam em documentos de venda de veículos ou no tráfico.

"Foi imputado a ele [principal investigado] uma carga de droga que foi apreendida em São Paulo em 2016 e, através desse trabalho desenvolvido, ele foi denunciado e condenado por crimes de tráfico e associação para o tráfico com outros indivíduos, apontados inclusive como líderes do tráfico de drogas no Morro das Pedras", explicou o delegado Thiago de Lima Machado.

Desdobramento da Slow, o trabalho deflagrado nesta quarta, com o nome de operação Talian, conseguiu apreender um Honda Civic que seria objeto de lavagem de dinheiro, além de sequestrar uma casa no bairro Esplanada, na região Leste da capital, e dois sítios localizados em Igarapé e em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Uma motocicleta e um veículo-reboque também foram confiscados.

A investigação também apontou que os suspeitos mantinham contato com um núcleo de atuação do tráfico interestadual em Aquidauana (MS). O grupo seria responsável por enviar os ilícitos para Minas. No esquema, os envolvidos faziam viagens com cerca de 200 quilos de drogas em carros mais antigos, no intuito de não chamar a atenção da polícia. 

Lavagem de dinheiro

Ainda conforme a polícia, os levantamentos realizados revelaram que o principal investigado tinha um mandado de prisão em aberto desde 2018, mas continuava atuando no comércio de drogas, contando com o auxílio de pessoas próximas e também se associando a um grupo criminoso estabelecido no Mato Grosso do Sul. Ele foi preso em julho de 2019.

Segundo a investigação, um suspeito emprestava o nome dele para que ocorresse a transferência de veículos para aquelas cidades, e integrantes do grupo criminoso usavam os automóveis para transportar drogas a outros estados, sobretudo Minas Gerais.

"Em consulta ao Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], a gente identificou que em poucos meses, de maio a outubro de 2016, ele movimentou mais de R$ 500 mil, que foram identificados pelo Coaf em transações suspeitas. Além de toda essa aquisição de móveis, transferências e negociação de veículos, ele utilizava o sistema financeiro nacional para o fluxo desses valores", completou o delegado.

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