O conflito entre as gangues 'Pau Comeu' e 'Del Rey' no Aglomerado da Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte, motivou a Polícia Militar a aumentar o efetivo e montar uma ocupação na região sem data para acabar. Se antes eram cerca de 30 os agentes que patrulhavam a área, agora são de 80 a 100 policiais atuando no local.  

Rivais, as quadrilhas que disputam o tráfico de drogas no aglomerado foram as responsáveis por um tiroteio na madrugada do último sábado (2), que, por pouco, não terminou em uma execução generalizada, segundo o comandante do 22° Batalhão de Polícia Militar, tenente coronel Fábio Almeida.  "Intervimos no momento em que as gangues começaram a se enfrentar e conseguimos evitar ali uns quatro ou cinco homicídios", relata.   

A disputa entre as gangues é territorial. Com bocas de fumo espalhadas nos limites do aglomerado, a posição estratégica de algumas delas chama a atenção de traficantes rivais. Além disso, uma troca no "comando" da gangue Del Rey endureceu ainda mais as normas. "O outro chefe da Del Rey foi preso e este que assumiu no lugar é muito ruim. Os traficantes da gangue andam com colete a prova de balas e armamento pesado. Os meninos que antes ficavam na rua até mais tarde, hoje não passam mais ali depois de 23h, com medo", disse um ex-morador do aglomerado. 

Além disso, para passar na "área" da Del Rey de moto ou de carro é preciso tirar o capacete ou levantar a viseira, abaixar os faróis e abrir todos os vidros do carro.  

Enquanto isso, a boca de fumo da gangue Pau Comeu tem acesso privilegiado a bairros nobres da cidade e entrada pela avenida do Contorno, ganhando o status de ponto "dos burguesinhos". E é por conta da alta movimentação de dinheiro ali que a disputa se intensificou e a Del Rey passou a demonstrar interesse em "ampliar os negócios". Para garantir a posse do ponto de tráfico, os integrantes da Pau Comeu revidam com execuções motivadas por dívidas de drogas na área da gangue rival. 

De acordo com a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel), o aglomerado da Serra tem cerca de 34 mil habitantes e é dividido em seis vilas: Marçola, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora de Fátima, Cafezal e Vila Novo São Lucas. 

Operação

A operação que determinou a ocupação no aglomerado da Serra desde o último sábado (2) foi batizada de "Possidendam", que significa "ter o controle", e envolve agentes do 22° Batalhão da PM, os batalhões de Choque e de Trânsito, a Rotam, o Bope e o Caveirão (veículo blindado que comporta até 11 militares), além do apoio de outras unidades da PM. A estimativa é que de 80 a 100 policiais participem da operação. 

O objetivo, segundo o comandante do 22° Batalhão, é garantir a paz aos moradores do aglomerado. Foram expedidos 10 mandados de busca e apreensão a residência, 33 de busca e apreensão a menores e 12 mandados de prisão. Nesse domingo (3), um homem suspeito de tráfico foi preso em flagrante e, com ele, a polícia apreendeu 153 pinos de cocaína, uma pequena quantidade de maconha, além de celulares, balança de precisão e rádios de comunicação. 

Nesta segunda-feira (4), quatro suspeitos foram presos ao tentarem fugir de um cerco feito no beco das Flores, ou Sacramento. Com eles, a polícia ainda apreendeu 79 pinos de cocaína, 124 pedras de crack, sete tabletes de maconha, além de balança de precisão, rádios comunicadores e uma pequena quantia em dinheiro. 

Já na madrugada de sábado (2), quando a briga entre as gangues culminou na troca de tiros, a polícia apreendeu duas armas, sendo uma delas de uso restrito do Exército, e uma grande quantidade de munição. Os policiais seguem acampados no aglomerado mas, segundo o comandante do 22° batalhão, tenente coronel Fábio de Almeida, com a presença da polícia no local é natural que os ânimos se acalmem e que os suspeitos desacelerem suas ações.   

A Polícia Civil informou, por meio de nota, "que trabalha de forma intensa e compromissada no combate à criminalidade. Várias ações e operações são realizadas periodicamente na região do Aglomerado da Serra, que têm como objetivo diminuir crimes relacionados ao tráfico de drogas, homicídios, roubos e outros delitos. Vários suspeitos e criminosos são identificados e presos pela Polícia, que, logo em seguida, são encaminhados à Justiça para responderem pelos seus atos. Atualmente, os trabalhos estão sendo mais empenhados na Vila Nossa Senhora da Aparecida e na Vila Nossa Senhora da Conceição, locais onde está havendo maior conflito entre organizações criminosas".

Leia mais:

Após confrontos de gangues, Polícia Militar inicia 'Operação Possidendam' no Aglomerado da Serra
Após 'guerra do tráfico', PM faz prisão e apreensões no Aglomerado da Serra
PM prende 'Alex Calcinha', chefe do tráfico de drogas do Aglomerado da Serra