“Belo Horizonte fez anos este mês, dezoito anos viçosos e floridos”. Assim o ex-diretor do Arquivo Público Mineiro Aurelio Pires descreveu a capital, na revista quinzenal “A Vida de Minas”, de dezembro de 1915. O município ainda era burocraticamente denominada Cidade de Minas.

Há cem anos, BH atingia a “maioridade” num ritmo tipicamente interiorano, mas com potencial para se tornar um metrópole. Dos 45 mil moradores de outrora, chega neste sábado (12), aos 118 anos, com 2,5 milhões de habitantes, alçada a uma das principais cidades do país. “A população se concentrava até a avenida Bias Fortes. De lá, não tinha mais nada. Era área rural”, afirma o pesquisador Alessandro Borsagli sobre o cenário bem diferente do atual. Hoje, além da avenida encontra-se nada menos que o bairro de Lourdes, um dos mais valorizados.

Um século atrás, a capital vivia um período de recessão, por ser basicamente uma repartição pública. Diferentemente do cenário de hoje, explica Borsagli, BH tinha poucas indústrias capazes de movimentar a economia.

PIRÂMIDE SOCIAL

A maior parte da população era formada por funcionários públicos, operários e imigrantes, instalados fora do traçado da Contorno, em bairros como Lagoinha e Floresta. “A Lagoinha é um dos bairros que se destacam. Tinha uma diversificação muito grande, que encontramos até hoje”. No perímetro da avenida principal, área considerada nobre, residiam apenas comerciantes, investidores e alguns funcionários públicos. PONTO DE ENCONTRO A esquina das ruas da Bahia e Afonso Pena era a parte mais glamourosa. De lá, saía o tradicional bonde até o Prado. Os grandes cafés e bares também se concentravam naquela região, hoje majoritariamente comercial.

Os comércios estavam localizados principalmente nas ruas Tupis e Caetés e avenidas Santos Dumont e Afonso Pena, no Centro, vias que conservam essas características até hoje. “O comércio era muito restrito. A Casa Falci estava localizada na avenida Afonso Pena e era uma das poucas lojas de materiais de construção”, conta o sócio-proprietário da loja, atualmente localizada na rua Rio Grande do Sul, Bruno Falci, presidente da CDL-BH. A loja foi fundada pelo bisavô dele, Aleixo Falci .

ESGOTO

Apesar de criada nos moldes higienistas, em 1915, BH ainda não tinha uma rede de coleta de esgoto. “Por falta de recursos, decidiram por fazer o lançamento dos resíduos domésticos nos córregos”, afirma o diretor do Arquivo Público, Yuri Mesquita. Os impactos dessa “improvisação”, em um município do “alto” de seus 18 anos, são sentidos até a atualidade: um século depois, os principais cursos d’água da cidade estão completamente poluídos. Veja como era BH há cem anos:

 

 

Futebol em BH começava a conquistar espaço há um século Arquivo

 

Equipe

HISTÓRIA – O time do Atlético que faturou o primeiro Campeonato Mineiro, disputado em 1915

As duas praças de esportes previstas na planta original de Belo Horizonte acabaram entrando para a história da cidade não pela atividade que abrigariam originalmente, mas pela relação com o futebol.

O velódromo do Parque Municipal já tinha testemunhado, em 1908, a fundação do Clube Atlético Mineiro, num tempo em que as corridas de bicicleta ainda encantavam a juventude da nova capital.

O hipódromo do Prado Mineiro, onde hoje está o Clube dos Oficiais da PM, se transformou no primeiro estádio de futebol da cidade.

E foi justamente lá, há um século, que o Atlético conquistou o primeiro Campeonato Mineiro, disputado em 1915 apenas por equipes de Belo Horizonte. Era o chamado Campeonato da Cidade, que teve cinco participantes, sendo que apenas dois seguem em atividade, América e Atlético. Yale, que foi o vice-campeão, Christovam Colombo e Hygienicos logo depois encerraram as suas atividades, num momento em que o futebol dava os seus primeiros passos na nova capital mineira. Um século depois da sua maioridade, Belo Horizonte chega neste sábado (12) aos 118 anos carregando como uma de suas marcas justamente os seus times de futebol.

Veja fotos de antes e depois:

Igreja da Boa Viagem antes e depois

MUDANÇA DRÁSTICA – Com arquitetura mais simples, a antiga Igreja da Boa Viagem era assim em 1915

A edificação foi demolida e reconstruída no estilo neogótico, sendo reinaugurada em 1923

 

Rua Sergipe Antes e Depois

SAVASSI – Cem anos atrás, a rua Sergipe, logo abaixo do Palácio da Liberdade, tinha até postes instalados no meio da via

 

Praça da Liberdade 1915 e atual

Praça da Liberdade em 1915 e atualmente