A professora Heley Abreu Batista está sendo lembrada pela população de Janaúba, no Norte de Minas, como a grande heroína na tragédia na creche Gente Inocente.

Após um velório que reuniu centenas de pessoas na funerária municipal, o caixão com o corpo da professora de 43 anos foi colocado em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros e um cortejo foi realizado pelas ruas da cidade até o cemitério São Lucas.

Lá, foi aplaudido por centenas de pessoas que se aglomeravam para se despedir da "heroína". O marido, Luiz Abreu, fez um breve discurso e ressaltou: "Fico triste por nos despedirmos dela, mas sei que ela viveu como manda a lei de Deus".

A personalidade maternal e dedicada da professora era sempre lembrada: "Ela era uma pessoa maravilhosa. Dotada de virtudes e valores humanos como ninguém. Deu a vida pelo próximo. Foi essa a missão dela aqui", disse a amiga Luzinete Santos, colega de profissão de Heley.

Relatos de amigos relembram que há cerca de 15 anos a professora havia perdido um filho, que se afogou no rio e teria a mesma faixa etária das crianças que cuidada na creche. "Acho que ela quis impedir que outras mães sentissem a dor que ela sentiu ao perder um filho. Tempos depois, Deus a presenteou com outros três filhos e ela estava muito feliz nessa escola", declarou a colega Sílvia Cássia.

Heley morreu após ter 90% do corpo queimado. Testemunhas disseram que ela tentou impedir o atentado promovido pelo vigia Damião Soares dos Santos e salvar as crianças que estavam na sala de brinquedos da creche.

Professora há duas décadas, ela foi descrita pelas colegas como uma profissional dedicada e apaixonada por crianças. 

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