Seis mil pessoas podem ter sido vítimas de um dos maiores golpistas do país. O homem, de 34 anos, foi preso vivendo escondido em um resort de luxo em Porto Seguro, litoral da Bahia. Segundo a Polícia Civil mineira, que investiga o crime por ele ter se iniciado no Estado, a movimentação com a pirâmide financeira pode ter rendido ao suspeito pelo menos R$ 500 milhões.

Conforme as apurações, o esquema foi criado em Montes Claros, no Norte de Minas, mas, devido à promessa de alto retorno para os investidores, fez vítimas por todo o Brasil. O homem também estava sendo investigado pelas polícias Federal (PF) e do Ceará.

O suspeito e um familiar, de 32 anos, que é apontado como laranja por emprestar o nome para registrar bens, foram detidos preventivamente há duas semanas. 

As investigações tiveram início há quatro meses, após vítimas de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana, procurarem a Polícia Civil. "Tomamos conhecimento de que pessoas faziam aplicações e não estavam obtendo retorno", explica o delegado Gustavo Barletta, da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos. 

Segundo a polícia, o esquema era lucrativo para os primeiros membros. No entanto, por se tratar de uma rede, dependia de novos participantes para sustentar a cadeia. "Entendemos que era uma pirâmide financeira que prometia rendimento mensal de 30%, quando, no mercado, a margem de lucro não tem essa porcentagem ao ano", ressalta. 

Crime

Conforme a corporação, o negócio começou em 2015, quando o homem criou um canal na internet e se apresentava como "professor e mestre" do mercado financeiro. "Ele fazia vídeos explicando como pessoas leigas em economia poderiam render o próprio dinheiro através de criptomoedas e mercado Forex (transações de câmbio)", frisa o delegado. 

Os alunos se transformaram nos primeiros investidores da plataforma e, depois, se tornaram captadores. "Quando um investidor indicava um novo membro, os rendimentos dele também melhoravam".

Com tantas pessoas investindo no negócio, o delegado explica, que, em 2018, um grupo que se denomina “antipirâmides” sabatinou o suspeito e descobriu que ele era um charlatão e não entendia de negócios.  "A organização quebrou o esquema porque divulgou notas na web sobre o processo fraudulento e fez com que a plataforma perdesse a credibilidade". Barletta ressalta que, além de não aparecer novos membros, os antigos começaram a retirar as aplicações e os prejuízos apareceram. 

Já foram identificadas vítimas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Santa Catarina. Porém, a abrangência é nacional e de altos valores. "Há membros com prejuízos de R$ 5 milhões e outros que venderam casa, no valor de R$300 mil, para aplicar o valor", conta. 

Fuga

Com o esquema quebrado e sob ameaça de investidores, o suspeito fugiu para a Bahia com a esposa. "Eles vivia em alto padrão de luxo. Comprou uma casa em condomínio de luxo, onde ficou por um mês. Depois alugou uma ilha deserta, por três meses, no valor de R$ 120 mil. E, no início deste ano, foi para um resort, onde foi encontrado", conta. 

Na captura, dois carros com valores de R$ 500 mil e R$ 100 mil foram apreendidos, além de computadores, duas armas de fogo e munição. O homem também possui imóveis que estavam sendo transferidos para o nome do concunhado, que trabalhava para ele. 

Defesa

De acordo com Gustavo Barletta, o suspeito disse que estava se escondendo devido às graves ameaças. No entanto, ele afirma que é um investidor e faliu visto a crise financeira do país. Desta forma, ele pretende se recuperar e pagar os credores. 

Com a prisão do criminoso, a corporação irá trabalhar para apurar quem são os captadores do negócio e se o dinheiro foi enviado para  paraísos fiscais ou apenas aplicado em bens de valores. "Iremos tentar bloquear o patrimônio dele e do parente, para ressarcir as vítimas", completa.