O homem que matou o caixa de uma padaria após esse ter lhe solicitado que vestisse uma camisa, em Belo Horizonte, em outubro de 2016, foi condenado a 15 anos de prisão em regime fechado após julgamento realizado nessa segunda-feira (3). 

O caso aconteceu no bairro Rio Branco, na região Norte da capital. Na ocasião, a vítima era caixa do estabelecimento e pediu ao cliente para que cumprisse a regra de vestimenta. Houve discussão. O réu deixou o local e, segundo o Ministério Público, retornou aproximadamente 50 minutos depois e executou o profissional.

Durante julgamento, o Conselho de Sentença foi formado por seis mulheres e um homem. Quatro testemunhas, três de acusação e uma defesa, foram ouvidas em plenário. O promotor Valter Shigueo Moriyama fez a acusação. O advogado Wagner Dias Ferreira assumiu a defesa do réu.

Na condenação, dada pelo 3º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, o homicídio foi considerado triplamente qualificado pelos jurados, que votaram “sim”, quando perguntados se o motivo foi fútil, se a situação colocou outras pessoas presentes no local em perigo e se o assassino impossibilitou a defesa da vítima.

Depoimentos

De acordo com testemunhas ouvidas, a vítima negava ter xingado o réu, quando foi atingida com tiros pelas costas. Antes disso, após a discussão inicial, o suposto agressor teria encarado o caixa durante cinco minutos, na porta da padaria. O profissional não teria destratado ou humilhado o cliente.  

Outra testemunha disse que o réu estava bêbado, mas não usava drogas e que havia ficado muito nervoso após ter sido chamado de "macaco" e ter a mãe chamada de "vagabunda". Também foi dito que o atirador era “um cara tranquilo”, trabalhador e que nunca “deu problemas” na obra em que trabalhava.

Em depoimento, o réu assumiu a autoria do crime e disse estar arrependido. Ele contou que tinha bebido muito no dia e que nunca teve passagem pela polícia.

Debates

Durante os debates, o promotor de acusação, Valter Shigueo Moriyama, ressaltou que a vítima foi morta com quatro tiros, todos pelas costas, que atingiram a cabeça e o pescoço. Para ele, não aconteceu nenhuma discussão séria, uma vez que as imagens (sem som) mostraram uma situação rápida.

Já a defesa se empenhou em tentar reduzir a pena do réu. O advogado Wagner Dias Ferreira pediu para que as testemunhas analisassem as circunstâncias do crime. Ele defendeu a ideia que o atirador estava sob intensa emoção, ao ouvir os xingamentos proferidos contra ele e sua mãe. O defensor pediu ainda aos jurados que respondessem “não” às perguntas das qualificadoras.