A Polícia Civil indiciou o secretário de Obras de Patrocínio, no Alto do Parnaíba, Jorge Marra, por homicídio duplamente qualificado. O investigado confessou ter matado Cássio Remis, candidato a vereador da cidade, no dia 24 de setembro.

De acordo com a delegada Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, da Delegacia de Homicídios de Patrocínio, foi verificado que houve uma dissimulação do suspeito para enganar a vítima, antes de cometer o crime, e que o assassinato teve motivação fútil.

“A conclusão foi tomada após verificar a vida pregressa de autor e vítima. Havia discussão política entre eles e vimos isso como futilidade, uma afronta ao estado democrático de direito. Foi um ato desproporcional à discussão política”, afirmou a delegada, que concluiu que não houve indício de premeditação no homicídio.

Embora a rivalidade política entre autor e vítima tenha sido comprovada na investigação, o caso não pôde ser tipificado como crime político, pois não está enquadrado na Lei Eleitoral e não deve interferir nas eleições municipais de novembro.

“Não foi um crime político, embora a motivação envolva razões políticas. Isso foi fundamentado como motivo fútil, porque uma revolta com uma denúncia não é motivação para ter ceifado a vida da vítima”, explicou a delegada.

Jorge Marra também foi indiciado por dois crimes: roubo (por ter pego o celular da vítima, fato que teria sido decisivo para o crime) e porte ilegal de arma de fogo. Ele está detido no presídio de Patos de Minas e alegou legítima defesa para sustentar a motivação para o crime.

Um motorista também foi indiciado por suspeita de participação no roubo do celular e por ajuda na fuga de Jorge, que se entregou à polícia três dias após o crime. O celular da vítima não foi localizado até o momento.

Várias testemunhas deram depoimentos à polícia, mas o prefeito de Patrocínio, Deiró Marra, irmão do investigado, não foi ouvido. De acordo com a delegada, não havia nada que indicasse que o político pudesse trazer informações de valor para a polícia.

De acordo com a delegada, a família da vítima relatou que Remis já havia recebido ameaças anteriormente, fato que poderá ser comprovado quando o celular dele for encontrado. A Apple já foi acionada para divulgar a localização do aparelho.

O delegado Regional da Polícia Civil em Patrocínio, Valter André, reforçou que a equipe de investigadores recebeu ameaças e pressão política durante a apuração, mas garantiu que isso não interferiu no indiciamento de Marra. “Tivemos pressão política, sim, mas a Polícia Civil não se deixou interferir”, afirmou.

O crime

Na quinta-feira (24), Remis estava na rua, onde fazia uma live em que supostamente fazia uma denúncia. Jorge Marra teria visto a cena e tomado o celular do candidato a vereador, seguindo depois para o pátio da Secretaria de Obras.

Remis teria seguido o secretário e tentado pegar o celular de volta, momento em que os cinco tiros teriam sido disparados contra a vítima. Depois disso, Marra fugiu. Seu veículo foi encontrado na cidade de Perdizes, onde corre uma outra investigação, para verificar quem ajudou o secretário durante a fuga.

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