Conscientizar as mamães sobre a importância da amamentação. Foi esse o objetivo da 'Hora do Mamaço', ocorrida na tarde deste sábado (2), em comemoração à Semana Mundial do Aleitamento Materno Solidário (SMAM).

O evento está na terceira edição e ocorreu em 45 cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte. Na capital mineira, as mulheres se reuniram em frente ao coreto da Praça da Liberdade, e amamentaram seus bebês. Muitas na companhia dos pais das crianças, que não deixaram de apoiar a causa.
“Nosso objetivo é mostrar que as mulheres podem amamentar onde quiserem e conscientizá-las que o leite materno é suficiente para alimentar o bebê e oferecer a ele todos os nutrientes que precisa”, explicou uma das organizadoras do evento em BH, Gabrielle Faria.

Além de levantar a discussão sobre o aleitamento materno, os participantes também recolheram assinaturas para o manifesto "Lei de Proteção à Mãe que Amamenta: em qualquer hora, em qualquer lugar". O objetivo é solicitar ao governo a criação de uma Lei Nacional que proteja o ato em locais públicos e privados. “Queremos que mães e bebês sejam respeitados por isso", disse Gabrielle. Segundo ela, o documento precisa de 100 mil assinaturas.

Incentivo

Cerca de 30 mães participaram da 'Hora do Mamaço'. Uma delas é a servidora pública Vanessa Ferreira, de 30 anos, que levou a pequena Clarice, de seis meses. Apenas na última semana a pequena começou a comer frutas, mas até então, Vanessa alimentava a filha apenas com o leite materno.
“Eu sempre defendi a amamentação exclusiva até os seis meses. Vejo os benefícios, pois ela nunca adoece, é tranquila e, quando nasceu, ganhou o peso recomendado rápido”, contou.

O marido dela e pai de Clarice, Juliano Ferreira, 32, faz coro à escolha da esposa. Para ele, muitas mães complementam a alimentação dos filhos porque não sabem que o leite materno é suficiente. “Muitas erram por falta de informação”, destacou.

A farmacêutica Maria José Barbosa, 44, faz questão de amamentar os gêmeos Lucca e Marina, também de seis meses. Ela tem outro filho, de 5 anos, que se alimentou exclusivamente por leite materno até completar um ano e pretende fazer o mesmo com os bebês. Para Barbosa, muitas mães acham que o leite materno não sustenta e isso atrapalha na conscientização. “Há quem acredite que o leite materno é pouco. Mas não é porque eu alimento dois bebês e ainda sobra”, frisou.

O pai dos gêmeos, o advogado Nilson Leal, 47, acredita que isso aproxima o bebê da mãe. “Além do poder nutricional, a amamentação reforça o vínculo da mãe com o bebê. Além disso, o pai se envolve também. É um ato de vida, de amor”, afirmou.

E não são apenas bebês menores que se alimentam no peito. A psicóloga Ana Paula Nery, 33, ainda amamenta a filha Júlia Helena, de um ano e sete meses. Ela acredita que os benefícios são variados. “Crio uma aproximação com minha filha agora que vai refletir no futuro dela. Ela será mais confiante e terá o aconchego suficiente para seguir em frente”, acredita.

Benefícios

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a World Breastfeeding Week (Semana Mundial do Aleitamento Materno) ocorre anualmenye em mais de 170 países. De acordo com informações divulgadas pelo site oficial da OMS, a recomentação o é que até os seis meses o bebê tenha alimentação exclusiva de leite materno. Aindicaçã é que esse ato já comece na primeira hora de vida.

Confira os principais benefícios do leite materno:

- Ele oferece todos os nutrientes que o bebê precisa para o desenvolvimento.

- Contém anticorpos que protegem a criança de doenças comuns na infância, como diarreia e pneumonia, duas primeiras causas de mortalidade infantil no mundo.

- A amamentação também é benéfica para a mãe. O ato reduz o risco de câncer da mama e no ovário. Além disso, ajuda a mulher a perder o peso adquirido durante a gravidez e reduz o índice de obesidade.

- Adolescentes e adultos que foram amamentados quando bebês, têm menor chance de serem obesos e de terem diabetes do tipo 2, além de terem melhores performances em testes de inteligência.