Três meses após a inauguração oficial, o Hospital de Campanha montado no Expominas, em Belo Horizonte - para atender pacientes com o novo coronavírus - entrou em operação nesta segunda-feira (13), mas segue sem pacientes.  

Responsável pela gestão do espaço, o Governo de Minas informou, por nota, que o hospital "será utilizado apenas após deliberação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), a qual detém a regulação dos leitos". O Estado frisou que a unidade funciona com "porta fechada", ou seja, não atenderá quem for ao local por conta própria. "Apenas será encaminhado ao Hospital de Campanha o paciente que estiver em condições de receber alta dos leitos dos hospitais da rede convencional de saúde", explicou a SES.

A partir desta segunda, 30 leitos - sendo 20 de enfermaria e 10 de estabilização - estão equipados com a estrutura necessária para o atendimento e entrará em funcionamento quando houver demanda. 

Ao todo, o Hospital de Campanha oferece 768 vagas, divididas em três blocos: Amarelo, com 260 leitos de enfermagem e 28 de estabilização; Azul, com 220 vagas de enfermagem; e Verde, com outros 260 leitos. O local não tem estrutura para receber os casos mais graves da doença.

A justificativa é que o Executivo estadual conseguiu ampliar as vagas na rede de saúde desde o início da pandemia de Covid-19, passando de 2.072 para 3.350. Segundo o secretário-adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, com planejamento foi possível estruturar primeiro a rede convencional e só pensar no Hospital de Campanha como reserva técnica. “Essa continua sendo a nossa estratégia, o nosso objetivo”, frisou.

Atendimento

Hoje, a unidade conta com uma equipe formada com 20 médicos, cinco psicólogos, 20 técnicos de enfermagem e 100 soldados do 58º Batalhão da Polícia Militar, que farão a administração e segurança do espaço. "Os profissionais responsáveis por atender os pacientes são integrantes da Polícia Militar de Minas Gerais e especialistas contratados pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – Fhemig", detalhou a SES.

Desde que foi criado, o espaço tem sido alvo de polêmicas. A contratação da empresa que iria administrar a unidade foi objeto de ação do Ministério Público, que identificou indícios de irregularidades. Em razão disso, o Estado lançou um novo edital para escolha de uma Organização Social (OS) para gerir o hospital.

Os custos das intervenções giraram em torno de R$ 5,3 milhões - sendo que R$ 4,5 milhões vieram de parcerias com a iniciativa privada. Os gastos com operação da unidade estão sob a responsabilidade do governo estadual.

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