Os pássaros correspondem a 90% dos animais apreendidos e encaminhados ao Centro de Triagem da Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Minas. Só neste ano, dos 2.903 integrantes da fauna recebidos pelo órgão, 2.612 eram aves.

Em 2011, o número de pássaros beirou 7 mil. Mas as apreensões e entregas espontâneas não inibem a atividade ilegal. Ainda existem mais de dez mil denúncias catalogadas sobre aves criadas de forma irregular.

Paradigma

Para tentar coibir esse crime, a Defensoria Pública da União em Minas, o Ibama e a Polícia Militar do Meio Ambiente buscam mudar um paradigma. “Queremos abolir a prática ilegal por meio de campanhas, como aquela contra o uso do cigarro”, diz o defensor Celso Gabriel de Rezende.

Os criadores burlam a lei, segundo a promotoria de meio ambiente, têm entre 40 e 80 anos e são de baixa renda.

No bolso

“Eles só entendem a gravidade do problema quando são autuados e multados. Um morador de Ribeirão das Neves, por exemplo, tinha 48 pássaros e foi multado em R$ 24 mil. Quando vendeu a casa onde vivia, teve o dinheiro retido pela Justiça”, diz o defensor.

A ideia é incentivar a entrega voluntária dos pássaros da fauna brasileira criados de forma irregular no Estado. “Trata-se de uma mudança de comportamento, o que não acontece de uma hora para outra. Estamos dando o primeiro passo”, alega Rezende.

Sem grades

O projeto “Minas Livre de Gaiolas” será lançado no sábado no Parque das Mangabeiras, na capital.

O transporte de pássaros da fauna silvestre é proibido por lei, mas será liberado no fim de semana para as pessoas irem até o parque. A expectativa é a de que cerca de mil aves sejam entregues no local.

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