Foi-se o tempo em que chegar à terceira idade era sinônimo de “pendurar as chuteiras”. Atingir a maturidade tem sido, cada vez mais, uma oportunidade para recomeçar. Em busca não só de uma vida saudável, os idosos de hoje têm desejado manter uma rotina ativa, pessoal e socialmente útil.

Após os 60 anos, vale mesmo é redescobrir-se. Assim fez a aposentada Enice Fonseca Nahas, de 70. Dona de um currículo invejável, que inclui nada menos do que quatro faculdades, ela deixou de lado estereótipos quase sempre ligados aos idosos para continuar seguindo em frente, com muito mais vigor e desejo. A receita, garante ela, é simples.

“Quando fiz 70 anos, achei que não dava conta de mais nada. Mas descobri que, apesar de todas as questões que envolvem a idade, sociais e até financeiras, ainda estou cheia de vida, de aspirações, expectativas e o principal, de esperança. Jamais vou aposentar da vida”, diz.

PROGRAMA ESPECIAL

Quem, assim como ela, quer encontrar na melhor idade um estímulo novo para viver pode anotar na agenda: Belo Horizonte irá receber, entre 15 e 17 de outubro, a Feira da Longevidade Ativa. O evento, na Serraria Souza Pinto, reunirá palestrantes, bate-papos com médicos, workshops de culinária, oficinas de bordado e apresentações de coral. A ideia é, de maneira democrática, chamar a atenção para as particularidades que envolvem a terceira idade.

“Um dos objetivos é sensibilizar e informar governantes, empresariado e a própria sociedade sobre o significado do envelhecimento ativo. Além disso, queremos despertar o interesse para ações específicas para a terceira idade, que envolvam horários de trabalho mais flexíveis e funções diferenciadas, por exemplo”, afirma o geriatra Igor Lanna, realizador da feira.

Terapeuta ocupacional, especializada em gerontologia, Gal Rosa reforça que é também o momento de descobrir novos valores para as atividades já realizadas. “O saber do idoso precisa ser útil e prazeroso para ele mesmo, mas tem que contribuir para a sociedade”.

 

 

Idosos buscam uma chance para recomeçar