Idosos, casados e pais de família. Esse é o perfil dos dois homens detidos por crimes relacionados à pedofilia, ontem, em Contagem, na Grande BH. Trabalhadores – taxista e metalúrgico –, eles não levantavam suspeitas. Porém, são investigados por armazenar e compartilhar imagens de pornografia infantil.

As prisões resultam da terceira fase da operação Luz da Infância, deflagrada em todo o país. Em Minas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três cidades. Na ação em Belo Horizonte não foi encontrado material que comprometesse o suspeito investigado, um rapaz de 27 anos. 

Já em Juiz de Fora, na Zona da Mata, após o rastreamento do IP (número que identifica o computador em uma rede), foi constatado que o equipamento pertencia a uma empresa. Até o fechamento desta edição, no entanto, o responsável pelos delitos ainda era procurado.

Em Contagem, os suspeitos foram capturados em casa, nos bairros Inconfidentes e Novo Riacho. Em equipamentos eletrônicos, os policiais civis encontraram vasto material armazenado. Celulares, HDs e DVDs também foram apreendidos.

Pela primeira vez, a operação teve apoio dos Estados Unidos e da Argentina. No país vizinho foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão

Punição

Dos imóveis, os homens seguiram para a delegacia, onde prestaram esclarecimentos. Caso sejam condenados, poderão ficar até seis anos atrás das grades.

A pena varia conforme o crime, ressalta a chefe da Divisão Especializada em Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente, Isabella Franca Oliveira. Segundo ela, quem armazena conteúdo impróprio de crianças pode ficar preso por até quatro anos, mas cabe fiança. Já o criminoso que compartilha o material, de 3 a 6 anos, sem possibilidade de responder em liberdade. 

O tempo pode ser somado se houver a prática dos dois crimes ao mesmo tempo. “O que geralmente identificamos é que as pessoas utilizam um sistema de download que automaticamente compartilha o material”, ressaltou a delegada. 

Além disso, Isabella Franca diz que será necessário analisar o conteúdo apreendido. “Para ver se eles (suspeitos) não estão nas imagens, ou seja, conferir se têm relação com a produção”. 

Nacional

Coordenada pelo Ministério da Segurança Pública, a terceira fase da Luz da Infância foi realizada no Distrito Federal e em outros 17 estados. Ao todo, 61 pessoas foram detidas. As investigações levaram em conta a verificação de mais de 500 imagens de pornografia infantil.

“Não existe anonimato nem impunidade em rede social, e a Polícia Federal tem condições de chegar a quem cometer esses crimes”, disse o ministro Raul Jungmann. 

A operação foi iniciada em outubro de 2017. Na época, 112 suspeitos pararam atrás das grades, sendo oito em Minas. Já na segunda etapa dos trabalhos, em maio deste ano, 251 pessoas foram presas. Dessas, 20 eram mineiras.