Resíduos gerados pelas atividades de perícia do Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte estão sendo despejados em cursos d’água e em redes de esgoto da capital. A constatação foi feita pelo Ministério Público. Uma liminar obtida pelo órgão determinou que as atividades fossem regularizadas até setembro deste ano. Porém, a decisão foi suspensa pela Justiça e não há definição de novos prazos.
Enquanto isso, as atuais condições irregulares de funcionamento do IML colocam em risco a saúde pública e o meio ambiente. Sangue e secreções de cadáveres – potencialmente infectantes – e produtos químicos, como o formol, estão sendo descartados diretamente na pia e nos tanques do laboratório, que são direcionados para a rede de esgoto.

 

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Parte do material, contendo sangue e secreções de corpos, é despejada na rede pluvial (Foto Flávio Tavares)


Além disso, parte desses resíduos, em menor quantidade, está sendo despejada na rede pluvial, afetando diretamente a bacia do ribeirão Arrudas, que corta a região Oeste, onde está localizado o IML.
Segundo o engenheiro sanitarista e pesquisador da UFMG Carlos Chernicharo, os impactos variam de acordo com a quantidade e o tipo de resíduo descartado. “Caso sejam despejados em rios, aquele curso d’água será contaminado. Com relação à rede de esgoto, produtos químicos, como formol, podem danificar até mesmo as tubulações”.
Por dia, pelo menos 1.500 litros de água misturada com fluidos corporais, provenientes da lavagem das macas e do rabecão, são lançados nas sarjetas das ruas Nícia Continentino e Djezar Leite. Em seguida, deságuam no Arrudas. Já o consumo mensal de água no IML é de 1,5 milhão de litros. Desses, 80% (1,2 milhão) voltam para a rede de esgoto, levando, também, sangue, secreções e produtos químicos utilizados nas atividades de necropsia.
Os dados estão em um relatório feito pelo próprio IML e repassado à Copasa, ao qual a reportagem do Hoje em Dia teve acesso. O diagnóstico, elaborado em 2006, é o único documento oficial que detalha as ações desenvolvidas e faz parte de uma primeira etapa do Programa de Recebimento e Controle dos Efluentes Não Domésticos (Precend), da Copasa.
“Uma das formas de se regularizar a situação é por meio do Precend. Mas a segunda parte do relatório, com as medidas que serão tomadas, ainda não foi entregue”, explica a coordenadora do projeto da Copasa, Estephania Foscarini.
 
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