Cirurgia estética mais realizada no mundo, o implante de silicone nos seios exige cuidados além do pós-operatório imediato. Fazer acompanhamento com um profissional especializado é fundamental para toda mulher que passa pelo procedimento e pode evitar surpresas desagradáveis no futuro.

As recomendações voltaram a ganhar força em meio ao recente anúncio de recall, em todo o mundo, de próteses da empresa Allergan. O motivo foi a descoberta de que o contato do corpo com o produto está associado a um linfoma, câncer raro que matou 33 pessoas, conforme a Food and Drugs Administration (FDA), que regula o setor de saúde nos Estados Unidos.

Ao fim do pós-operatório, muitas mulheres deixam de ir ao médico para fazer check-up das mamas, especialmente quando não há alteração. Mastologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Clécio Lucena reforça que o acompanhamento deve ser feito com exames como ultrassom, ressonância magnética e mamografia a cada um ou dois anos.

“Nem sempre os problemas surgem de imediato. Às vezes, as pessoas começam a notar um crescimento anormal da mama, caroços ou acúmulo de líquido, e isso precisa ser investigado”, explica o docente.

O cuidado é necessário porque vai muito além de “como os meus seios vão ficar?”. Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, Waldeir Almeida Júnior afirma que a paciente deve estar ciente de todas as possíveis complicações decorrentes da operação.

Alerta

Dentre os possíveis riscos está a ruptura da prótese dentro do seio, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). Se o implante for do tipo salino, pouco procurado no Brasil, a mulher logo percebe que há algo de errado, pois o peito esvazia rapidamente.

A situação, no entanto, é grave quando se trata do silicone, uma vez que o líquido pode prejudicar o organismo.

Nesses casos, a Isaps alerta sobre a necessidade de se fazer uma ressonância magnética a cada três anos. O exame é capaz de detectar possíveis danos que estejam ocorrendo na prótese.

As orientações foram recebidas pela estudante de Nutrição Melissa Gomes Barros, de 20 anos, que aderiu ao aumento das mamas há um mês. “O cirurgião plástico me explicou direitinho e fazemos acompanhamento semanal”. 

Sem pânico

Waldeir, no entanto, diz não haver necessidade de pânico. “(O implante) é bastante seguro e o prognóstico, bom. O recall pede que as pacientes tenham mais cuidado e atenção com as próteses. Milhões de mulheres têm implantes mamários e foram descritos, até agora, 573 casos do tumor. As pessoas precisam ser informadas, mas também tranquilizadas”, frisa o mastologista.

Mais indicações

Além da estética, a prótese de silicone pode até acelerar a recuperação de mulheres que precisaram retirar parte dos seios por conta de um câncer, frisa o presidente do Conselho de Administração do grupo Oncoclínicas, Bruno Ferrari. “Elas já saem com a mama reconstruída, após a cirurgia”, destaca.

Mas o oncologista alerta que o produto deve estar corretamente posicionado abaixo do músculo peitoral, para não dificultar o diagnóstico de problemas ou possíveis tumores.

O último censo realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostra que, em um ano, foram realizadas cerca de 351 mil operações. Dentre os procedimentos, aumento e reconstrução de mama, que é a principal alteração estética procurada por pacientes

Recall

Em 26 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, distribuição e importação de três tipos de próteses mamárias da fabricante Allergan. O recolhimento voluntário do produto também está sendo feito em todo o país. Integram a lista: Natrelle Implante Mamário Texturizado Allergan, Natrelle Expansor Tissular Texturizado e Natrelle Implante Mamário Texturizado Duplo Lúmen.

A medida veio após a Food and Drugs Administration (FDA), agência dos Estados Unidos, ter recomendado a suspensão do uso das próteses por estarem ligadas a um tipo raro de câncer, o de linfoma anaplásico de grandes células. Em nota, a Anvisa informou não haver recomendação para retirada dos implantes em pessoas que não tenham sintomas como inchaço duradouro e dor local. “A orientação é que os pacientes em uso do produto sigam as orientações do médico, como, por exemplo, realizar a revisão periódica e ter conhecimento dos dados técnicos da prótese como marca, modelo, lote e série”, frisou o órgão. 

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